A ministra do Mar diz que “já existe acordo” para resolver a crise laboral no porto de Setúbal. O SEAL não comenta, mas insiste nas críticas à Yilport/Operestiva.

Estará iminente o acordo entre operadores e estivadores em Setúbal

A ministra do Mar disse que “já existe acordo” entre sindicato e operadores portuários de Setúbal “para aumentar substancialmente o número de pessoas” efectivas, adiantando que a próxima reunião será “para fechar um acordo”.

Em entrevista à “Antena 1″/”Jornal de Negócios”, Ana Paula Vitorino considerou “excessivo e incompreensível” o número de trabalhadores eventuais no porto de Setúbal e avançou que já há acordo entre o sindicato e as empresas.

O porto de Setúbal está praticamente parado há um mês devido à recusa dos estivadores eventuais em se apresentarem ao trabalho, em protesto contra a situação de precariedade em que se encontram, alguns há mais de 20 anos.

“Aquilo que se passa a nível nacional, que é muito semelhante aos indicadores que existem a nível internacional, é que existem dois terços de efectivos e um terço de trabalhadores eventuais para fazer face aos picos”, disse a ministra.

“No entanto, em Setúbal existe uma situação que é ao contrário; em vez de haver dois terços de efectivos existem dois terços de trabalhadores eventuais, o que é de facto excessivo e incompreensível”, apontou Ana Paula Vitorino.

Admitindo que esta é uma “questão crucial”, a governante avançou que “já existe acordo das duas partes, ou seja, do sindicato e das empresas privadas para aumentar substancialmente o número de pessoas do quadro”.

Questionada sobre se será invertida a proporção entre efectivos e eventuais,  Ana Paula Vitorino afirmou: “Vamos inverter (…), as empresas vão aceitar os dois terços”.

A ministra do Mar manifestou-se ainda convicta que a próxima reunião, que irá decorrer nos próximos dias, vai terminar num acordo.

“Tem havido reuniões bilaterais entre a mediação e cada uma das partes, julgo que está a evoluir bem. A próxima reunião formal e pública será, com certeza, para fechar um acordo”, garantiu.

Questionada sobre se admite alterar a legislação laboral portuária, Ana Paula Vitorino afirmou: “Equacionaria tornar mais efectiva e mais exigente a parte que diz respeito às empresas do trabalho portuário, porque efectivamente com esta legislação existe pouca margem de fiscalização e para impor outro tipo de regras”.

No entanto, “é uma legislação que vai ser polémica”, anteviu.

Sobre o impacto da paralisação dos estivadores no porto de Setúbal, a ministra do Mar disse que o valor, não só do volume de facturação, mas incluindo o directo e indirecto, “são cerca de 300 milhões de euros” anualmente.

No entanto, se se considerar também o peso da componente induzida pelo porto de Lisboa, tal duplica, acrescentou.

“Ora, neste momento, a movimentação no porto de Setúbal, portanto, a economia que é viabilizada através do porto de Setúbal, foi drasticamente reduzida e cada semana que passa mais reduzida assim é”, disse.

“Já fizemos as contas, se isto continuar até ao final do ano vamos ter uma redução de cerca de 70% no valor directo e indirecto do volume de negócios produzido pelo porto de Setúbal”, salientou Ana Paula Vitorino, adiantando que se for conseguido um acordo “nos próximos dias” poderá ser possível “recuperar alguma coisa até ao final do ano”.

Isto porque, até agora, o porto de Setúbal “não está afectado a 70%”. “Neste momento temos uma redução que não chega aos 50% da movimentação”, salientou a ministra do Mar.

Relativamente às linhas que se transferiram para outros portos devido à paralisação de Setúbal, Ana Paula Vitorino apontou que tem sido feito “um esforço muito grande” para que tal aconteça para outros portos nacionais.

“Há umas mais difíceis de remediar do que outras, como já não é a primeira vez que acontece uma situação destas. Quer dizer que cada vez existe mais dificuldade em recuperar rotas perdidas para outros países”, rematou.

Sindicato e operadores não comentam

Numa primeira reacção às declarações da ministra do Mar, o SEAL optou por… não comentar.

O sindicato confirmou apenas a existência de contactos bilaterais de negociação.

Noutro registo, porém, o sindicato dos estivadores dirigiu sérias críticas a Diogo Marecos, o “homem forte” da Yilport e gerente da Operestiva, a empresa de trabalho portuário de Setúbal onde se desencadeou o protesto dos trabalhadores eventuais.

Do lado dos operadores não houve ainda comentários às palavras da ministra. Mas o optimismo de Ana Paula Vitorino sobre a contratação de um número significativo de trabalhadores vai além das propostas que estarão sobre a mesa. Pelo menos no imediato.

As empresas de trabalho portuário estariam disponíveis para contratar 56 trabalhadores efectivos, mas há dias Diogo Marecos já disse que nas actuais condições a empresa não estará mais em condições para reforçar os quadros. Isto depois de em comunicado ter alertado para o risco de insolvência.

This article has 3 comments

  1. Quantas vezes esta senhora já disse isto e as greves dos estivadores SEAL há muitos anos que paralisam portos de Lisboa e Setúbal, esta senhora manda tanto neles como eu na China ou na Rússia lol é triste que os amigos dos comunistas desgovernem Portugal por isso o António Costa e Ana Paula Vitorino são mais para a nossa economia e os nossos salários, que vergonha !

  2. … SÃO MAUS …SÃO PÉSSIMOS …

  3. É totalmente 200 % falso o que esta Senhora diz pq os estivadores SEAL acabaram de anunciar que estarão em greve em 2019 por tempo indefinido certamente bem animados pelos COLETES AMARELOS FRANCESES !
    Tenho a certeza que o António Costa só vai acordar até agora dormiu durante 3 anos quando a VW fechar a fábrica AUTOEUROPA e for tudo para desemprego aí 10.000 desempregados já vão LEMBRAR dos seus estivadores do SEAL, todos já presos 1 vergonha !