Quem o diz é o Tribunal de Contas espanhol. As receitas não chegam para as despesas, e a situação tenderá a agravar-se assim se comecem a pagar os empréstimos do BEI.

Alta Velocidade

Num momento em que, no país vizinho, se reacende a discussão sobre a viabilidade/utilidade dos investimentos na Alta Velocidade, o relatório do Tribunal de Contas sobre o financiamento das infra-estruturas ferroviárias (no período 2011-2013) vem “deitar mais achas para a fogueira”.

Os juízes de contas de Madrid concluem que o actual modelo de financiamento é insustentável, desde logo porque a taxa média de cobertura das despesas pelas receitas das taxas de uso se ficou entre os 49% e os 51% no período em análise.

Entre 2011 e 2013, a dívida remunerada da Adif AV cresceu 5,6 mil milhões de euros, para atingir os 11,97 mil milhões de euros. Dos quais 8,98 mil milhões de euros contratados junto do BEI. Empréstimos que começarão a ser pagos em 2017, o que só agravará as coisas, alerta o Tribunal de Contas.

Facto é que a taxa de uso não chega para pagar a manutenção das vias e os financiamentos contratados. Os juízes defendem, por isso, o aumento das taxas cobradas aos operadores. Precisamente o contrário do reclamado pela Renfe e pelos potenciais candidatos à liberalização do sector. E ao arrepio daquilo que o governo do PP se propõe fazer para incentivar a concorrência.

O eixo Madrid-Sevilha, o mais antigo da rede espanhola de Alta Velocidade, é o único rendível, com uma taxa de cobertura das despesas pelas receitas da taxa de uso de 124%. Nos antípodas, no Corredor Mediterrânico a taxa de cobertura é de apenas 9%. No Madrid-Toledo é de 70%, de 65% no Madrid-Barcelona, de 44% no Córdoba-Málaga, de 30% no Madrid-Levante, de 16% no Madrid-Valladolid e de 14% no Eixo Atlântico (Vigo-Santiago).

Na rede convencional, a cobertura das despesas pelas receitas da taxa de uso é ainda mais baixa. Nos três anos analisados variou entre os 5% e os 7%.

No caso da Alta Velocidade, porém, com a abertura do mercado a privados, o Tribunal de Contas considera que se corre o risco, com o actual modelo, de estar a transferir dinheiros públicos em benefício de operadores privados.

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