O MODSEAT, protótipo português de banco para comboios regionais e intercidades, está a despertar o interesse de construtores e operadores ferroviários, avançou José Rui Marcelino, CEO da Almadesign, ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

O MODSEAT é uma iniciativa totalmente portuguesa, que nasce de um consórcio liderado pela MCG e composto pela Almadesign, a ERT, o Instituto Superior Técnico e a SETsa. O projecto teve início em 2016 e um investimento total elegível de 1,6 milhões de euros, que contou com o apoio financeiro da União Europeia de 779 mil euros, através do FEDER.

T&N – O que diferencia este assento de outros já disponíveis no mercado ferroviário?

José Rui Marcelino – Em relação aos bancos existentes no mercado, este banco oferece diversas inovações, conjugando algumas das melhores soluções encontradas, não só no mercado ferroviário, mas também no mercado automóvel e aeronáutico. Por exemplo, o encosto reclinável com mesa auto nivelável, por oposição ao assento deslizante, permite uma estrutura mais leve, uma menor distância entre bancos e a simplificação da construção.

As características de conforto – suporte lateral, encosto de cabeça mais envolvente e revestimentos – são também referências para um banco intercidades. A modularidade de construção da estrutura, cascas e espumas, oferece um maior grau de customização, adaptando-o às diferentes necessidades e orçamentos.

A integração de tecnologia de informação no banco, módulo de tomadas elétricas e USB para carregamento de dispositivos móveis e sistema de NFC [Near-Field Communication], que permite o acesso a informação disponibilizada pelo operador, como filmes, música, jogos, etc; a customização dos tecidos e capas e outros detalhes, como o simples cabide para casacos integrado ou o apoio de pés, mostram que o MODSEAT pode ser escalado até oferecer uma proposta completa do que é exigível num banco intercidades.

Em termos de tecnologias de fabrico, a maior inovação está nas ligações por deformação plástica que apresenta múltiplas vantagens relativamente às tecnologias tradicionais de ligação mecânica, pois permite obter estruturas finais com melhor precisão e menor consumo energético, tornando-se por isso uma solução mais sustentável.

T&N – Além de questões tecnológicas e de conforto, é concorrencial em termos de custos/preço?

José Rui Marcelino – O projecto MODSEAT é um projecto de investigação e desenvolvimento em que o objectivo é desenvolver e integrar competências para oferecer soluções inovadoras para a indústria e para a sociedade. Não é, por isso, objectivo do projecto apresentar um produto acabado.

No entanto, o projecto foi realizado para que o resultado final possa ser posteriormente desenvolvido e aplicado em projectos concretos (em que há sempre algum nível de adaptação), obedecendo, desde a especificação, às características necessárias à normalização apresentando um racional de custos de produção que o torne competitivo quando comparadas as suas características e preço com os demais.

T&N – Já está instalado ou há negócios para algum comboio?

José Rui Marcelino – Não está instalado, mas desde a sua ante-estreia, na Innotrans, a maior feira ferroviária do mundo, despertou interesse de vários operadores e integradores, com quem temos mantido o contacto e que têm acompanhado o progresso do projecto até à data.

T&N – Há interesse de construtores e operadores ferroviários?

José Rui Marcelino – Sim. A motivação e especificação deste projecto nasce, precisamente, de necessidades já identificadas entre os utilizadores e operadores reais da ferrovia.

T&N – Estes estão em Portugal ou fora?

José Rui Marcelino – Neste momento há demonstrações de interesse dentro e fora de Portugal.

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