A base aérea do Montijo não servirá como alternativa ao aeroporto de Lisboa para os voos de longo curso, com aviões de maior porte, se, como prevê a ANA, for desactivada a pista 17/35 da Portela, avisaram hoje, em Lisboa, os pilotos.

Aeroporto de Lisboa

“O Governo já está absolutamente ciente de que a pista 01/19 do Montijo, fechando a 17/35 [do aeroporto de Lisboa], não é uma alternativa para voos de longo curso, pois é muito pequena, não tem ajudas rádio que permitam aterragens por instrumentos e o pavimento, eventualmente, não tem resistência para suportar aviões de grande porte”, afirmou à “Lusa” o presidente da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA).

“Entre três e quatro meses do ano, por razões de segurança, devido a fenómenos atmosféricos moderados a severos, a pista 17/35 é a melhor para aterrar e não a 03/21, pista que se usa normalmente”, frisou o presidente da APPLA

Caso se concretize a desactivação da pista 17/35 do aeroporto de Lisboa, durante três a quatro meses do ano, os aviões de longo curso não poderão aterrar no Montijo e terão de divergir para um aeroporto alternativo, sendo os mais próximos Porto ou Faro.

Miguel Silveira frisou que a actual pista do Montijo, em termos de tamanho e resistência, poderá receber apenas aviões de pequeno e médio curso, até ao Airbus A-321 ou o Boeing-737.

“Todo o tráfego de longo curso, ou tudo o que seja A-330, A-340, Boeing-777, 767 ou 757, em nada disto o Montijo é uma alternativa, durante aqueles meses, caso fechem a pista 17/35 de Lisboa”, alertou.

O presidente da APPLA defendeu que a pista 01/19 do Montijo “está longe de ter as características” da 17/35 de Lisboa.

Caso não se encontre uma solução, que pode passar pela construção de uma nova pista no Montijo ou obras profundas na já existente, a APPLA entende que terão de se tomadas “medidas, com aumento de custo para as empresas e a alteração do perfil operacional por parte dos pilotos, no que diz respeito ao aeroporto de Lisboa, para que quando não conseguirem aterrar em Lisboa, estejam preparados para seguirem para o aeroporto alternativo, que poderá ser Porto ou Faro”.

O representante dos pilotos transmitiu estas preocupações ao secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´Oliveira Martins, durante uma reunião, na sexta-feira.

Miguel Silveira referiu ter recebido a garantia de que este processo será feito “ao longo de bastante tempo” e que “a APPLA será um parceiro a ouvir a todo o momento”.

Na reunião, num clima “muito positivo”, segundo a associação, o secretário de Estado das Infraestruturas indicou que o memorando de entendimento entre o Governo e a ANA, a ser assinado na quarta-feira, é “extremamente generalista” e não especifica a desactivação da pista 17/35 de Lisboa.

“O encerramento da pista 17/35 não está explícito, mas sabemos que está implícito. Há a necessidade do crescimento do aeroporto de Lisboa, mas o crescimento de qualquer aeroporto só se deve dar até ao limite razoável para assegurar as condições de segurança de voo”, vincou.

A 23 de Setembro de 2015, a ANA revelou estar a estudar a hipótese de desenvolvimento de um aeroporto no Montijo e a planear o desenho operacional futuro do aeroporto de Lisboa, no qual se inclui a possibilidade do encerramento da pista 17/35.

Com Lusa

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