A imposição dos serviços mínimos e o recurso às forças armadas e forças de segurança permitiu atenuar as dificuldades provocadas pela greve dos motoristas.

Na hora do balanço do segundo dia de greve dos motoristas, o ministro do Ambiente disse que “os números de hoje são melhores do que os de ontem”. Especificando: os “serviços mínimos foram genericamente cumpridos” e os níveis de abastecimento subiram, nos postos da REPA (Rede Estratégica de Postos de Abastecimento) de 38% para 51% na gasolina e de 46% para 49% na gasolina, disse.

A situação permaneceu mais complicada no Algarve, reconheceu Matos Fernandes, com os níveis de abastecimento a situarem-se hoje nos 27% na gasolina (22% ontem) e nos 29% no gasóleo (23%). E daí estarem previsto para esta noite novos abastecimentos com recurso a elementos das forças armadas/de segurança.

Para amanhã, quarta-feira, o ministro antecipou o recurso a menos militares. Serão utilizados, amanhã e nos próximos dias, essencialmente ao final do dia para suprir eventuais falhas.

Hoje, apenas 14 motoristas não acataram a requisição civil.

Greve pode eternizar-se

O vice-presidente do SNMMP criticou, de novo, a imposição da requisição civil e dos serviços mínimos, mas garantiu que, nos moldes actuais, a greve dos motoristas pode mesmo prolongar-se indefinidamente.

Na prática, disse Pedro Pardal Henriques, sendo obrigados a trabalhar os motoristas garantem o salário, mas limitando-se aos serviços mínimos e a trabalhar oito horas/dia provocam à mesma problemas nos abastecimentos.

O “vice” do SNMMP tratou de explicar a falta agravada de motoristas na tarde do primeiro dia de greve com o facto de as empresas transportadoras terem chamado os motoristas a trabalhar às 6 horas da madrugada, pelo que o horário das oito horas se esgotou cerca da hora de almoço.

A propósito, na conferência de imprensa, o ministro Matos Fernandes reconheceu que os motoristas não podem ser obrigados a trabalhar mais do que o horário, mas lembrou também que o horário semanal pode chegar às 60 horas.

Pardal Henriques denunciou, entretanto, que se registaram três situações de troca de combustível em descargas feitas por militares das Forças Armadas e da GNR.

O dirigente do SNMMP referiu à “Lusa” a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Peniche e Nazaré devido à troca de combustível em tanques. “Acho que o Estado devia ver os prejuízos que esta situação está a ter. O que vai acontecer nas situações que relatei é a necessidade de se esvaziarem os tanques”, afirmou Pardal Henriques.

Em jeito de balanço do segundo dia de greve, o porta-voz do SNMMP acusou as empresas e o Governo de estarem a ameaçar os motoristas para que estes cumpram mais do que oito horas de trabalho. “Tivemos conhecimento do que a polícia foi a casa de um motorista, que estava de baixa, para o deter caso ele não aceitasse ir trabalhar. Só quando ele mostrou a baixa e foi validada por um procurador é que o deixaram em paz”, disse.

 

 

Comments are closed.