A greve dos motoristas anunciada pelo SNMMP e pelo SIMM deverá mesmo avançar. A reunião de ontem com a ANTRAM extremou posições. Apenas a FECTRANS continua a negociar.

Como prometido, o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM) apresentaram ontem à ANTRAM o pré-aviso de greve para 12 de Agosto. A paralisação deverá manter-se até que o novo CCT entre em vigor, o que se afigura difícil porquanto patrões e sindicatos insistem antes na troca de acusações.

Assim aconteceu, de novo, ontem. No final da reunião, que ditou o fim das negociações, o vice-presidente do SNMMP acusou a ANTRAM de “dar o dito por não dito”. “O que está em causa não é Janeiro de 2021, porque este [aumento] a ANTRAM aceitou”, afirmou Pedro Pardal Henriques, referindo-se à subida do salário dos motoristas para 1 400 euros no início do próximo ano.

Em causa estará, então, o aumento gradual dos salários, que a ANTRAM recusa. “Não aceitou [hoje] o aumento gradual conforme tinha aceite e assinado e agora dá o dito pelo não dito”, atirou o dirigente. Segundo Pardal Henriques, a associação apenas aceita o aumento salarial para os 1 400 euros, recusando o aumento gradual para os 1 550 em Janeiro de 2021 e para os 1 715 em 2022.

Do lado da ANTRAM, André Matias de Almeida acusou os sindicatos de não terem querido sequer conhecer as contrapropostas da associação dos transportadores. Os sindicatos “terão de explicar ao país porque é que vão prejudicar mais um direito constitucional, que é o das férias dos portugueses, com a greve do dia 12”, comentou.

ANTRAM e FECTRANS negoceiam

Rompidas as negociações com o SNMMP e o SIMM, ANTRAM e FECTRANS continuarão a negociar a revisão do CCT acordado há um ano entre as duas partes.

No final da reunião de ontem, o coordenador da FECTRANS disse que “neste momento não nos foi entregue nenhuma proposta por parte da ANTRAM. No entanto, a mesma associação patronal, que deu por encerrado o processo aqui, comprometeu-se a enviar, até amanhã [hoje], uma proposta”, disse.

José Manuel Oliveira vincou a autonomia dos processos negociais: “há um processo autónomo com a FECTRANS”, e um “contrato colectivo de trabalho”, pelo que a intenção é “prosseguir as negociações”.

 

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