A reunião anunciada pelo SNMMP para segunda-feira, no Ministério das Infraestruturas, “não existe” e “é uma farsa” do sindicato dos motoristas, diz a ANTRAM.

“A ANTRAM não estará nessa reunião porque essa reunião simplesmente não existe”, disse à “Lusa” o advogado e porta-voz da associação dos transportadores rodoviários de mercadorias, André Matias de Almeida.

“Essa reunião é uma farsa que se destina, mais uma vez, a ludibriar a comunicação social e o povo português sobre uma alegada disponibilidade deste sindicato [dos Motoristas de Mercadorias Perigosas] para negociar”, acrescentou o advogado.

André Matias de Almeida assegurou, no entanto, que “a ANTRAM não foi convocada, não recebeu nenhum aviso de nenhuma convocatória de nenhuma reunião”, nem pelo SNMMP nem pelo ministério.

Questionado sobre a abertura para negociar novas propostas apresentadas pelos sindicatos, o porta-voz da ANTRAM disse que a associação “está sempre disponível para negociar, desde que não seja sob chantagem e sob pressão, e isso implica o levantamento do pré-aviso de greve”.

“Não só esta nova proposta do sindicato de matérias perigosas é uma farsa na justa medida em que não implica nenhuma redução, pelo contrário, implica um aumento de 150 euros face à proposta inicial, como por outro lado não levanta o pré-aviso de greve sabendo que isso é uma chantagem total à negociação”, defendeu André Matias de Almeida.

“Isto não é nenhuma forma de chegar a um entendimento, isto é tão só e exclusivamente uma tentativa de lavar a cara perante a comunicação social e perante a opinião pública portuguesa”, acrescentou o porta-voz da ANTRAM.

As propostas do SNMMP

O vice-presidente do SNMMP disse ter “várias propostas” para apresentar numa reunião na segunda-feira no Ministério das Infraestruturas e sublinhou que a estrutura sindical sempre quis evitar a greve.

“Existem várias propostas que nós queremos apresentar ao senhor ministro das Infraestruturas [Pedro Nuno Santos] e à ANTRAM”, disse à “Lusa” Pedro Pardal Henriques.

A proposta, adiantou Pardal Henriques, passa por aumentar o salário base dos motoristas para mil euros até 2025, com indexação ao crescimento do salário mínimo nacional, o que permite “um prazo mais dilatado, quer para que as
empresas possam cumprir com aquilo que ficar estabelecido no contrato colectivo de trabalho, quer para que haja a paz social que o país necessita”.

“A questão é que a ANTRAM não se quer sentar com os sindicatos, não quer ouvir propostas e quer colocar o país neste estado de alerta”, acusou o dirigente sindical, garantindo que o sindicato pretende encontrar uma solução que evite a greve.

A greve convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) terá início no próximo dia 12 e será por tempo indeterminado.

Contactada pela “Lusa”, fonte oficial do Ministério liderado por Pedro Nuno Santos recusou-se a falar sobre o assunto.

 

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