A ANTRAM tem uma semana para responder à proposta do sindicato dos motoristas de matérias perigosas, sob pena do regresso da greve.
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O prazo para a negociação do novo contrato dos motoristas de matérias perigosas só termina no final do ano, mas o sindicato (SNMMP) quer avançar depressa, e vai daí hoje mesmo apresentou à ANTRAM uma proposta de articulado com 70 pontos.

A associação dos transportadores rodoviários de mercadorias, ao invés, apresentou-se na reunião apenas com a intenção de ouvir o que os motoristas tinham para dizer e sem propostas ou contra-propostas.

Resultado: à saída da reunião, o vice-presidente do SNMMP não poupou nas críticas e admitiu o regreso da paralisação que quase parou o País. “O que vi hoje surpreendeu-me porque pensei que as pessoas levassem isto mais a sério. Uma coisa é brincarem com os trabalhadores durante 20 anos, outra coisa é brincarem com uma estrutura criada para defender os interesses dos trabalhadores. Talvez por isso faça tanta confusão existir um advogado ligado a esta causa. Não estamos aqui a brincar”, afirmou Pedro Pardal Henriques.

O SNMMP faz desde já finca-pé em pelo menos duas exigências: o reconhecimento da categoria profissional e p salário base correspondente a dois salários mínimos.

Do lado da ANTRAM, Pedro Polónio, vice-presidente, justificou que “naturalmente” não tinha propostas a apresentar antes de conhecer a proposta integral do sindicato. Além do que, frisou, o prazo acordado para as negociações estende-se até ao final do ano. “Como tal, achamos que não se pode querer respostas imediatas. É preciso reflectir”, acrescentou.

Uma nova reunião ficou já agendada para a próxima semana. Mas o vice do SNMMP não se mostrou muito confiante no sucesso das negociações, e daí ter admitido desde já a possibilidade do regresso da greve.

A mediação do Governo poderá, por isso, ser determinante para evitar a escalada do confronto. Segundo avançou o “Eco”, o mediador será Guilherme Drey, que recentemente esteve nas negociações que puseram termo à greve dos estivadores do porto de Setúbal.


 

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