O acordo entre ANTRAM e FECTRANS garantirá aumentos mínimos de 140 euros para os motoristas indiferenciados e de 266 euros para os motoristas de matérias perigosas.

Os novos salários entrarão em vigor a partir do próximo ano, na sequência do acordo alcançado na noite de quarta-feira entre os transportadores e a federação sindical.

Em comunicado, a ANTRAM destaca o resultado de “uma dura negociação”, sublinhando também o aumento dos  encargos que representa para as empresas transportadoras. Porque os aumentos implicam o acréscimo dos “impostos que as empresas terão de suportar (…), no total este aumento comporta um custo total de mais de 300 euros por mês por cada trabalhador”

“O custo que as empresas suportarão por trabalhador por ano aumenta em mais de 4 000 euros através deste novo acordo”, reforça a associação.

FECTRANS: o acordo possível

O coordenador nacional da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) considerou, à saída da reunião com a ANTRAM, que o acordo resolve algumas das “questões nucleares” dos trabalhadores.

“O salário dos motoristas dos pesados, composto por salário-base, complemento salarial, cláusula 61, diuturnidades e subsídio nocturno, o conjunto destas rubricas, que é a retribuição mensal garantida dos trabalhadores, vai crescer no mínimo 120 euros por mês em 2020. Isto, a partir dos 70 euros de aumento que foi protocolado em 17 de Maio”, disse José Manuel Oliveira aos jornalistas.

Depois, há um conjunto de categorias profissionais, não referidas no protocolo de 17 de Maio, que “vão ter aumentos de salários entre 4% e 6%, e é nesse contexto que estão as matérias salariais neste momento”.

O dirigente da FECTRANS sublinhou que este “memorando de entendimento” melhora e valoriza questões como as diuturnidades e as ajudas de custo, altera o conceito da cláusula 61 e muda conceitos de atribuição de regras de ajudas de custo diárias no transporte ibérico e internacional.

José Manuel Oliveira adiantou ainda que será realizada uma “discussão interna” no âmbito da federação, com dirigentes e associados, para retomar as negociações na primeira semana de Setembro e “concluir a revisão global do contrato colectivo de trabalho”, para que este possa ser publicado este ano e entre em vigor a partir de Janeiro de 2020.

“Estivemos a negociar as matérias para 2020 e é nesse contexto que estamos a fazer esta negociação”, observou.

Questionado sobre se considerava este um “acordo histórico”, como o designou a ANTRAM, José Manuel Oliveira respondeu que para a FECTRANS é o acordo possível.

“É a vitória da teimosia de quem entendeu que a luta se deve desenvolver na mesa de negociação, portanto é nesse contexto que fazemos a avaliação deste acordo, sabendo sempre que não era aquilo que gostaríamos de atingir”, frisou.

SNMMP critica FECTRANS

O porta-voz do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) reagiu, entretanto, ao anúncio do acordo, considerando que foi feito à revelia dos motoristas.

Trata-se de um “acordo que foi assinado à revelia de tudo aquilo que os motoristas pretendiam. O país está em estado de crise energética porque os motoristas têm-se revoltado e têm reclamado condições que não são aquelas que
estão no acordo, e a ANTRAM e a FECTRANS resolveram celebrar um acordo contra a vontade dos motoristas”, disse Pedro Pardal Henriques à comunicação social em Aveiras de Cima.

Para o porta-voz do SNMMP, “a FECTRANS deveria representar a vontade dos sócios e não foi aquilo que aconteceu”. “Fez aquilo que os dirigentes assim entenderam e, ainda por cima, patrocinado, com pompa e circunstância, pelo ministério, que saiu para anunciar o acordo histórico”, declarou.

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