Os sindicatos dos motoristas desafiam a ANTRAM para um debate sobre o processo negocial em curso e pedem  desculpas pela greve prevista para Agosto.

“Não desejamos a greve por variadíssimas razões, a principal é a perfeita consciência do impacto e do transtorno que vai causar aos portugueses e à economia do país. Desde já pedimos perdão aos portugueses por eventuais
transtornos no seu quotidiano, não temos dúvidas que compreenderão a nossa luta”, avançam os sindicatos dos motoristas de mercadorias e de matérias perigosas, numa carta aberta à ANTRAM, a que a “Lusa” teve acesso.

A carta aberta é assinada por Jorge Cordeiro, do Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), e por Francisco São Bento, do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP). Nela, os sindicatos contestam a “tentativa de manipulação da opinião pública” em relação ao objectivo dos sindicatos SIMM e SNMMP,
indicando que “os homens que dirigem estes sindicatos são eles próprios motoristas de mercadorias e de matérias perigosas”.

“Andamos há 22 anos a servir a economia e o país com elevado sentido de responsabilidade e verdadeiro espírito de missão, sabemos que os portugueses nos vão perdoar por ao fim de 22 anos pensarmos um pouquinho em nós e nas nossas famílias, afinal de contas também somos homens e mulheres, pais, mães, filhos”, afirmam os sindicatos, endereçando um pedido de desculpas aos portugueses pelo impacto da greve prevista.

Cansados de “joguinhos de diplomacia”, em que se simula “abertura e interesse em melhorar o sector para que no fim tudo fique na mesma”, os motoristas alertam para a “precariedade das suas condições laborais e sociais”.

Neste âmbito, o SIMM e o SNMMP desafiam a ANTRAM, bem como os demais intervenientes no sector, para “um debate televisivo sobre toda a situação”, segundo a carta aberta.

“Vamos falar do processo negocial em curso, dos protocolos e acordos de compromisso celebrados, das várias propostas já apresentadas”, referem os sindicatos dos motoristas, acrescentando como tema de debate “o que se tem
passado no sector nos últimos 22 anos e que levou os motoristas a assumirem agora estas tomadas de posição”.

Afirmando aguardar “tranquilos” a resposta da ANTRAM ao desafio lançado, os motoristas apontam “uma certeza: aquele que o recusar tem alguma coisa a esconder”.

Greve até ao novo CCT

No sábado, o 1.º Congresso Nacional dos Motoristas, que decorreu em Santarém, com cerca de três centenas de motoristas, aprovou, por unanimidade, entregar no dia 15 um pré-aviso de greve a partir de 12 de Agosto, por tempo indeterminado, até que entre em vigor o novo CCT para o sector.

A proposta de novo CCT vai ser levada à reunião de dia 15 para continuar as negociações com a ANTRAM, e a FECTRANS, mediada pelo Ministério do Trabalho.

A proposta para o novo CCT prevê um aumento do salário base de 100 euros nos próximos três anos (1 400 euros brutos para 2020, 1 600 para 2021 e 1 800 para 2022), indexado ao aumento do salário mínimo, melhoria das condições de trabalho e pagamento das horas extraordinárias a partir das oito horas de trabalho, entre outras medidas.

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