O pré-aviso de greve dos sindicatos de motoristas, a partir de 12 de Agosto, propõe serviços mínimos de 25% em todo o território nacional. Na greve de Abril eram de 40%, mas apenas em Lisboa e Porto.

 

De acordo com o documento a que a “Lusa” teve acesso, a proposta dos  sindicatos de motoristas de serviços
mínimos a assegurar “tem por referência 25% dos trabalhadores” em cada empresa que preste abastecimento de combustíveis, por exemplo, a “portos, aeroportos e postos de abastecimento das empresas que têm por objecto a prestação de serviço público de transporte de passageiros, rodoviários, ferroviários e fluviais”, bem como a “estruturas residenciais para pessoas idosas, centros de acolhimento residencial para crianças e jovens, estabelecimentos de ensino, IPSS e Santas Casas da Misericórdia”.

Já no caso do “abastecimento de combustíveis e matérias perigosas a hospitais, centros de saúde, clínicas de hemodiálise e outras estruturas de prestação de cuidados de saúde inadiáveis, estabelecimentos prisionais, bases aéreas, serviços de protecção civil, bombeiros, forças de segurança e unidades autónomas de gaseificação”, os sindicatos propõem que estes serviços sejam assegurados na totalidade, “nas mesmas condições em que devem assegurar em dias úteis, de feriado e/ou descanso semanal”.

Contactado pela “Lusa”, o presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, esclareceu que esta proposta contemplada no pré-aviso de greve entregue na reunião de segunda-feira com a ANTRAM será analisada numa reunião no Tribunal Arbitral, ainda sem data marcada.

“Não fomos ainda contactados por nenhuma entidade governamental”, afirmou Francisco São Bento.

O SNMMP e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) voltaram anteontem à mesa de negociações, sob a mediação do Ministério do Trabalho, mas não chegaram a acordo com a ANTRAM e entregaram um pré-aviso de greve, com início às zero horas de 12 de Agosto e por tempo indeterminado.

Hoje o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse que “não perdeu as esperanças no esforço de conversação” com os representantes dos camionistas, mas garantiu que “o Governo está preparado para o que vier a acontecer”.

“O Governo está especialmente empenhado em continuar a apelar às partes para ser possível encontrar soluções que não gerem situações que são penalizadoras para o país, para a economia do país, para o bem-estar das famílias e, creio eu, até para os trabalhadores deste sector. E o Governo está também empenhado em estar preparado para o que vier a acontecer”, disse Vieira da Silva aos jornalistas em Vila Nova de Gaia, à margem da inauguração das novas instalações do centro de formação da Salvador Caetano.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em Janeiro de 2020, 800 euros em Janeiro de 2021 e 900 euros em Janeiro de 2022, o que com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1 400 euros em Janeiro de 2020, 1 550 euros em Janeiro de 2021 e 1 715 euros em Janeiro de 2022.

SNMMP e SIMM acusam a ANTRAM de já ter aceite este acordo e de agora estar a voltar atrás na decisão, o que a ANTRAM desmente.

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