Os motoristas do transporte rodoviário de mercadorias admitem recorrer à greve e avisam que as consequências serão bem mais graves que as provocadas pelas paralisações dos estivadores.

Em causa está a “desumanização” do sector, de acordo com o dirigente sindical da Fectrans Vítor Pereira. Os motoristas denunciam as pressões das empresas transportadoras “para que abdiquem do descanso pondo em risco a segurança própria e dos outros”, ou o recurso ao pagamento ao quilómetro: os empresários – dizem – pagam salários-base baixos e depois pagam um adicional (não declarado) em função dos quilómetros percorridos.

A Fectrans quer agora avistar-se com o secretário de Estado dos Transportes para lhe expor as queixas e pedir a sua intervenção. Caso a situação não se altere, caso os motoristas continuam “a ser tratados como peças de camião, poderão chatear-se e paralisar o país”, alertou Vítor Pereira.

A greve será, assim, um último recurso, mas não é afastada pelos dirigentes sindicais, que alertam para que bastará uma paralisação de três dias para deixar vazias as prateleiras dos supermercados e secos os postos de abastecimento de combustível.

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