Desde ontem, a MSC tem uma operadora ferroviária de transporte de mercadorias e é portuguesa. Governo e MSC Rail fecharam a privatização da CP Carga. O objectivo estratégico assumido é tornar a companhia líder ibérica.

Sines

O negócio da venda de 95% do capital da CP Carga – os trabalhadores terão a possibilidade de adquirir os restantes 5% – foi fechado pelo valor de 53 milhões de euros, dos quais 51 milhões de euros serão usados para a recapitalização da empresa.

A conclusão do negócio aconteceu quatro meses depois de o anterior governo PSD/CDS-PP ter assinado o acordo para a venda da CP Carga, ainda sem uma decisão da Autoridade da Concorrência, que entretanto, em Dezembro, se pronunciou
favoravelmente.

Em comunicado, o responsável da MSC Portugal, Carlos Vasconcelos, explica que “o investimento da MSC pressupõe um plano de desenvolvimento a longo prazo que vai melhorar e valorizar a infraestrutura da empresa e transformá-la no primeiro operador ibérico de transporte ferroviário de mercadorias”.

MSC Rail será “apenas” mais um cliente

Em Outubro do ano passado, quando participou como orador no Seminário de Transporte Ferroviário do TRANSPORTES & NEGÓCIOS, Carlos Vasconcelos garantiu que a CP Carga (que entretanto será rebaptizada) terá uma postura de abertura ao mercado e que manterá os tráfegos contratados. A MSC Rail será “apenas” mais um cliente, realçou.

Para crescer na Península Ibérica, aquele  responsável disse na altura que a nova CP Carga tratará, desde logo, de captar os tráfegos de contentores marítimos da MSC com origem/destino nos portos do país vizinho. Sobre a manutenção das parcerias com a espanhola Renfe, disse que serão avaliadas em devido tempo.

Sobre as condições da compra da CP Carga e da transferência das locomotivas eléctricas da CP para a nova operadora privada, Carlos Vasconcelos referiu, ainda no Seminário do TRANSPORTES & NEGÓCIOS, a intenção de antecipar o reforço dos capitais da empresa com os 51 milhões de euros propostos. E justificou a transferência das locomotivas com o imperativo de reforçar os activos da empresa.

 

Certo é que, entretanto, a CP Carga já contratou com a CP o aluguer de mais locomotivas para fazer  face às necessidades operacionais.

Os resultados de 2015 da CP Carga ainda não foram divulgados mas, ao que o TRANSPORTES & NEGÓCIOS apurou, terão sido os melhores da (ainda curta) história da empresa, tanto em termos de volumes transportados como em termos de indicadores económicos e financeiros.

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  1. A CP Carga chegou a este nível com excelentes resultados fruto da competência do seu maior ativo que foram, são e serão os colaboradores pois, mesmo sendo do setor público onde o poder negocial é marginalizado e o “negócio” fechado em nome do alegado interesse publico para alavancar a economia nacional e o tecido empresarial que o sustenta, não baixou os braços ao desafio empresarial em que sempre acreditaram.
    Sem as amarras “públicas” e com os horizontes abertos, focalizados no crescimento sustentado com dimensão europeia, a melhoria dos resultados não tardam a falar por si.
    Força para a longa e merecida viagem.