Os três municípios que integram a Metro Mondego (MM) desde 1996 admitem abandonar a sociedade, liderada pelo Estado, caso as obras tardem em avançar.

No final da assembleia geral da MM, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, ladeado pelos seus pares da Lousã e de Miranda do Corvo, acusou o Governo de “bloquear o funcionamento” da empresa e a realização dos seus objectivos estatutários.

Na assembleia geral estiveram presentes os representantes de todos os accionistas (Estado, municípios, CP e Refer) e foram aprovados “todos os documentos formais”, à excepção do relatório societário do exercício de 2014, que não terá sido refeito a tempo.

A eleição dos novos órgãos sociais, essa não se realizou. E o plano de actividades elaborado pela administração, liderada por João Rebelo, “é um documento minimalista” que não clarifica o futuro do projecto, criticou o autarca.

“É mais um bloqueio que fica para aí”, disse o autarca do PS, responsabilizando o accionista maioritário de promover “delongas absolutamente injustificadas” na conclusão das obras do metro, iniciadas em 2009, no Ramal da Lousã, deixando as populações do interior do distrito de Coimbra sem a centenária ligação ferroviária.

Acompanhado pelos presidentes socialistas das autarquias da Lousã e Miranda do Corvo, Luís Antunes (presidente da mesa da assembleia da sociedade) e Miguel Baptista, respectivamente, o também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses lamentou que a MM, por alegada imposição do Governo de Pedro Passos Coelho, “não realize, nem deixe realizar” as obras e demais acções em falta para repor a mobilidade ferroviária no Ramal da Lousã e dotar Coimbra de um sistema de metro.

Manuel Machado disse que a indefinição quanto ao futuro do projeto, concebido pela MM, “está a criar graves danos” aos três concelhos envolvidos. No caso de Coimbra, lembrou a existência de uma área extensa da Baixa em ruínas, à espera de obras, públicas e privadas, associadas à futura passagem do metro, o que compromete também a requalificação no âmbito da classificação da Alta e de parte da Baixa como Património Mundial, por decisão tomada pela UNESCO, em 2013.

Na sua opinião, partilhada pelos homólogos da Lousã e Miranda, “não é aceitável que uma assembleia geral convocada nos termos estatutários” não tenha condições para definir o desenvolvimento do projecto, incluindo as candidaturas das empreitadas e aquisições várias aos fundos comunitários, no âmbito do Portugal 2020”.

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