Os agentes de navegação são  imprescindíveis, e por isso continuarão a existir, mas têm de se reinventar e melhorar continuamente, avisa Urbano Gomes, administrador executivo da Navex, em declarações ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Linea Messina

A comemorar 50 anos, a Navex, a maior agência de navegação nacional, continua a crescer. Nos primeiros nove meses do ano corrente, o número de navios agenciados aumentou “em torno dos 10%”, pelo que para o final do exercício Urbano Gomes confia que “o número de escalas se situe claramente acima dos 1 800 navios”. No ano passado rondaram os 1 700 (com um crescimento de 2% face a 2015).

No mercado do transporte marítimo de contentores, a empresa do Grupo ETE conta com as representações da Mutualista Açoreana (em Leixões) e da Vieira & Silveira e, mais recentemente, da Linea Messina e Unifeeder.

Ao longo de 50 anos foram muitas as mudanças no portefólio de representadas. Algumas ditadas até pela opção dos armadores de se estabelecerem directamente no mercado português, dado o desenvolvimento da actividade… promovido pela Navex. “Fizemos o que tínhamos a fazer, envolvendo-nos em garantir o sucesso das nossas representadas”, comenta Urbano Gomes, que garante não existirem “quaisquer ressentimentos”. “É a nossa forma de nos posicionarmos no mercado, que continuaremos a desenvolver pois estamos certos que tal é valorizado pelo mercado em geral, inclusive a nível internacional”, acrescenta.

A prova, diz, é a “rapidez com que conseguimos a representação de novos armadores que actuavam nos mesmos mercados daqueles que se estabeleceram directamente”. A Unifeeder, a última “aquisição”, “é o maior operador de shortsea e feeder europeu, com uma rede se estende desde o Mediterrâneo (onde actua através da sua participada Unimed Feeder Services) até ao Báltico”. E a Linea Messina “apresenta opções competitivas para vários destinos no Mediterrâneo, Médio Oriente, Irão, África Oriental e Moçambique”, sublinha.

E como é “vender” os portos nacionais aos armadores internacionais? A estratégia, resume Urbano Gomes, passa por “maximizar aquelas que são as vantagens competitivas da generalidade dos portos nacionais, nomeadamente a sua eficiência e fiabilidade” e lidar o melhor possível com as principais dificuldades “que têm a ver com a (comparativamente) reduzida dimensão do mercado e a instabilidade laboral que ocasionalmente assola alguns dos nossos portos, nomeadamente Lisboa”.

A consolidação a que se assiste no mercado mundial do transporte marítimo de contentores representa também um desafio para os agentes de navegação. A propósito, o dirigente da Navex sublinha que “as 25 maiores linhas de contentores controlam mais de 89% da capacidade total de transporte disponível no mercado, tendo crescido no último ano cerca de 40%”, mas nota “as mais representativas dessas linhas já estão presentes no mercado nacional com escritórios próprios ou agências dedicadas”, a excepção mais relevante sendo a ONE (resultante da fusão do negócio de contentes da K Line, MOL e NYK).

Sobre o futuro, Urbano Gomes não tem dúvidas: “o agente de navegação tem uma posição imprescindível no mercado e por conseguinte a actividade vai persistir”. Mas avisa: “os agentes de navegação necessitam de se reinventar, fazendo a reengenharia dos seus processos operacionais e procurando a melhoria contínua que lhes é exigida”. Conselhos que, garante, já são seguidos dentro de portas.

A Navex conta cerca de 50 colaboradores nos escritórios de Viana do Castelo, Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal, Sines e Portimão.

 

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