David Neeleman, accionista da TAP, garante o “empenho dos privados” na companhia e agradece “muito” o empréstimo do Estado português.

Apesar de não ter sido essa a nossa proposta, agradecemos muito o apoio do Estado português através de um empréstimo de emergência à TAP e aceitamos, obviamente, as medidas de controlo da utilização desse empréstimo”, afirma Neeleman, numa declaração escrita enviada à “Lusa”.

Após “meses de silêncio”, o empresário justifica esta tomada de posição com a necessidade de “rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”, garantindo que estes estão “disponíveis para aceitar a participação do Estado na Comissão Executiva imediatamente e mesmo antes de uma eventual capitalização do empréstimo”.

“Estamos também disponíveis para capitalizar os nossos créditos na companhia no momento da aprovação do plano de reestruturação que será negociado com a Comissão Europeia”, acrescenta.

Na nota enviada à “Lusa”, Neeleman diz ter “optado pelo silêncio nos últimos meses por estar concentrado em ajudar a Comissão Executiva da TAP a trabalhar para encontrar soluções nesta fase muito complexa relativamente ao futuro da TAP”.

“No entanto, e porque há limites, não posso deixar de rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”, sustenta.

“O nosso empenho – garante – é o mesmo de 2015, quando ganhámos a privatização e salvámos a TAP de uma situação de insolvência, e após cinco anos de trabalho muito duro transformámos a TAP numa companhia renovada, de maior dimensão e preparada para o futuro. Continuamos a acreditar na TAP apesar desta enorme crise que afectou toda a economia e em particular o sector da aviação”.

Segundo David Neeleman – que com Humberto Pedrosa, através da Atlantic Gateway, detém 45% da TAP – “desde o início da crise a equipa executiva tem trabalhado noite e dia, em conjunto com os fornecedores, tendo negociado e obtido apoios importantes na ordem de centenas de milhões de euros”.

“O nosso foco não é apenas garantir que a TAP sobreviva, mas que recupere a rota de crescimento que vinha percorrendo e que prospere para que possamos cuidar dos nossos trabalhadores e clientes”, defende.

Neeleman recorda que a TAP precisa “da ajuda do Estado Português” tal “como todas as outras companhias aéreas na Europa” e afirma que “todo o investimento feito pelo Estado” na empresa “tem um retorno garantido, multiplicado por muitas vezes”.

Isto para além de “um significativo impacto na economia portuguesa, quer pela estabilidade económica” dos trabalhadores da companhia e da respectiva “cadeia de valor de fornecedores e parceiros portugueses”, como pelos “milhões de visitantes” que anualmente transporta para Portugal.

“A TAP é muito importante para o País e estou certo que o Governo português saberá respeitar os compromissos assumidos com quem acreditou e transformou a companhia”, afirma.

Na passada quinta-feira, o ministro das Infraestruturas disse confiar no Conselho de Administração da TAP para fazer o plano de reestruturação da companhia, mas considerou que “o atual CEO [Antonoaldo Neves] da TAP valoriza em demasia a briga”.

Numa entrevista ao ‘podcast‘ “Política com Palavra”, do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos disse que lhe faz “muita confusão que o CEO de uma empresa que está de mão estendida ache que se possa relacionar com o Estado” desta maneira.

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