Seis concorrentes, entre eles a Rio Tinto, foram seleccionados pelo governo de Moçambique para apresentarem as propostas finais à construção de uma nova linha de caminho de ferro e de um novo porto, adiantou à “Reuters” o ministro dos Transportes daquele país.

“Tivemos 21 companhias na pré-selecção e escolhemos seis, que estão agora a preparar as respectivas propostas finais”, referiu Paulo Zucula. Além da Rio Tinto, os outros concorrentes são sobretudo companhias logísticas, acrescentou o ministro, sem especificar.

O projecto de investimento ascende a três mil milhões de dólares. O concurso aponta para a construção de uma linha de caminho de ferro com 525 quilómetros de extensão, entre a província de Tete e Macuse, na província da Zambézia. E contempla também a criação de um porto de mar, com uma capacidade inicial de 25 milhões de toneladas/ano, com possibilidade de duplicar esse volume.

O vencedor do concurso terá de financiar o projecto e ainda de disponibilizar a infra-estrutura ferroviária não apenas para o transporte de carvão, mas de outras mercadorias e mesmo de passageiros. À “Reuters”, o ministro moçambicano dos Transportes justificou a opção dizendo que “não somos como a Austrália, que já tem infra-estruturas para todos e que por isso pode dedicar infra-estruturas para mercadorias específicas. Não é esse o nosso caso”.

O interesse da Rio Tinto neste mega-projecto, dadas as dificuldades logísticas com que a companhia se tem deparado para escoar o carvão que extrai das minas de Moatize. Dificuldades que levaram mesmo ao registo de uma imparidade de três mil milhões de dólares nas contas da companhia.

A brasileira Vale está a investir 4,4 mil milhões de dólares no corredor de Nacala, também para escoar o carvão de Moatize pelo porto de Nacala, passando pelo Malawi.

Actualmente o carvão de Tete é expedido pelo porto da Beira, através da linha do Sena, cuja capacidade foi finalmente duplicada para seis milhões de toneladas/ano. O ministro Paulo Zucula acrescentou que um novo aumento de capacidade, até aos 20 milhões de toneladas/ano, deverá estar concluído dentro de 18 a 20 meses.

“No final de 2015, teremos uma capacidade total de exportação de carvão de mais de 30 milhões de toneladas”, garantiu o responsável moçambicano à “Reuters”.

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