A factura do novo aeroporto de Luanda já ultrapassa os 6,4 mil milhões de dólares (5,4 mil milhões de euros) e não pára de aumentar. Agora, o governo de Angola foi autorizado a gastar mais quase 100 milhões de euros, com crédito polaco, destinando-se a maior fatia ao terminal VIP.

Aeroporto de Luanda

De acordo com o despacho presidencial que autoriza a despesa, a que a “Lusa” teve acesso, em causa está o “acabamento e apetrechamento da secção protocolar do Terminal VIP, fabrico e fornecimento das infraestruturas externas e equipamentos”, no montante de 93,3 milhões de dólares (79 milhões de euros), a que se soma a construção e apetrechamento do Centro de Formação Aeronáutica, no valor de 19,7 milhões de dólares (16,7 milhões de euros).

Neste caso, os gastos serão financiados “no âmbito do Programa de Financiamento com a Linha de Crédito do Banco BGK, da República da Polónia”, acrescenta o despacho de José Eduardo dos Santos.

O novo aeroporto internacional de Luanda está em construção no município de Icolo e Bengo, a 30 quilómetros da capital.  O seu custo já supera os 6 400 milhões de dólares (5 400 milhões de euros), financiados sobretudo por fundos chineses e com as obras a serem realizadas por empresas daquele país.

Só a edificação propriamente dita do aeroporto, em curso desde 2004, a cargo da empresa China International Fund Limited (CIF), tem um custo fixado em 3 800 milhões de dólares (3 220 milhões de euros).

No equipamento da infraestrutura, o Estado angolano vai gastar mais 1 400 milhões de dólares (1 190 milhões de euros), tendo contratado para o efeito a empresa China National Aero-Technology International Engineering Corporation.

Em 2015 o consórcio da China Hyway Group Limited foi escolhido para construir o acesso ferroviário ao aeroporto. Nesta empreitada, a construção e fornecimento de equipamentos para as cinco novas estações do Caminho de Ferro de Luanda (CFL) representa um investimento público de 255 milhões de dólares (216,2 milhões de euros). Somam-se a construção do respectivo ramal ferroviário desde a actual Estação de Baía do CFL ao novo aeroporto internacional de Luanda (num total de 15 quilómetros), por 162,4 milhões de dólares (137,7 milhões de euros).

Já o programa de obras e intervenções nos acessos viários ao novo aeroporto está avaliado em 692,7 milhões de dólares (587,2 milhões de euros), envolvendo igualmente empresas chinesas.

O novo aeroporto é descrito como um “projecto estruturante fundamental para a concretização da estratégia do governo angolano, no que concerne ao posicionamento do país no domínio do transporte aéreo na região da África austral”.

Duas das pistas foram concluídas em 2015, assim como a torre de controlo, decorrendo a construção dos terminais, que segundo o governo angolano deverão receber 15 milhões de passageiros por ano.

O projecto é financiado por fundos chineses englobados na linha de crédito aberta por Pequim para permitir a reconstrução de Angola, depois de terminado um período de três décadas de guerra civil.

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