Os operadores portuários de Lisboa acusam o sindicato dos trabalhadores portuários de quererem incluir no Acordo Colectivo de Trabalho cláusulas que vão contra a lei aprovada na Assembleia da República. Em conferência de imprensa, alertaram para os prejuízos “irreversíveis” da greve que amanhã começa.

Porto de Lisboa

“Estamos na fase em que começamos a recuperar o que tínhamos perdido nos seis meses de greves em 2012 e três meses em 2013 e todo o trabalho foi em vão. Depois de quase dois anos a trabalhar o mercado, temos uma greve que é absolutamente incompreensível”, afirmou Rodrigo Moura Martins, da Direcção da Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL).

Citado pela “Lusa”, o mesmo responsável considerou o protesto convocado pelo Sindicado dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro “irracional”, por querer salvaguardar no Acordo Colectivo de Trabalho, que estava a ser negociado, cláusulas que vão contra a lei. Essa lei, acrescenta, foi aprovada na Assembleia da República pelo PS, PSD e CDS-PP e está “pacificamente em vigor no resto do país”.

“As consequências para os operadores portuários são prejuízos económicos evidentes, mas o que nos preocupa mais são os prejuízos enormes para o país, porque o porto de Lisboa tem a girar à sua volta um grande número de empresas que têm contratos a cumprir”, explicou Rodrigo Moura Martins.

O porta-voz da AOPL disse ser incapaz de quantificar “o prejuízo para a economia real”, realçando que mais grave é “a imagem que se dá ao exterior”, que é “muito difícil de reverter no futuro”, explicando que ainda hoje “os operadores andam a fazer um trabalho enorme para recuperar credibilidade e carga”.

“O porto de Lisboa perdeu cerca de 40% da carga que normalmente movimentava com as greves de 2012 e 2013”, precisou.

 

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