A Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL) acusou hoje o Sindicato dos Estivadores (SEAL) de fomentar “a todo o custo um clima de conflito social” e responsabilizou-o pelo fim do acordo salarial no porto da capital.

AOPL diz que o SEAL inviabilizou aumentos dos estivadores

“A greve ao trabalho suplementar convocada pelo SEAL [Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística] e as razões alegadas revelaram claramente que o real objectivo é a criação a todo o custo de um clima de conflito social que poderá ter como único objectivo afirmar o seu próprio protagonismo e o dos seus dirigentes, fazendo-o inclusivamente à custa dos direitos dos trabalhadores que deveria representar e proteger”, sustenta a associação em comunicado.

O SEAL anunciou, a 27 de Agosto, o prolongamento e o agravamento da greve ao trabalho suplementar em praticamente todos os portos nacionais, para entre 10 de Setembro e 8 de Outubro, reivindicando liberdade de filiação sindical.

Garantindo que, “independentemente da sua opinião sobre as exigências que são feitas pelos trabalhadores portuários, a AOPL respeita a actividade sindical”, a associação acusa, contudo, o SEAL de “criar permanentemente situações de conflito, fugindo de qualquer acordo que signifique a obtenção de um clima de paz social nos portos nacionais e hipotecando qualquer situação de diálogo”.

SEAL inviabilizou aumentos

A AOPL recorda, a propósito, o recente acordo salarial para os estivadores de Lisboa, entretanto denunciado, rejeitando as acusações do SEAL e responsabilizando o sindicato pelo desfecho.

No comunicado, recorda que “em Junho a AOPL acolheu as reivindicações do sindicato, que se traduziram em aumentos para 2018 (com efeitos retroactivos a Janeiro) de 4% e de 1,5% para 2019 e que representariam um significativo esforço financeiro para os operadores portuários”.

Este acordo “foi depois ratificado em 2 de Julho, em plenário de trabalhadores promovido pelo SEAL”, mas “apenas duas semanas depois o sindicato convocou uma nova greve em vários portos, na qual incluiu o Porto de Lisboa, demonstrando um total desrespeito pelo acordo alcançado”, o que levou a associação a “considerá-lo sem efeito”.

“Depois desta atitude irresponsável perante os trabalhadores que representa, o SEAL vem agora, no pré-aviso de greve datado de 26 de Agosto, afirmar que ‘a AOPL rasgou um acordo local’, quando é completamente claro que foi o SEAL que o quebrou”, afirma a representante dos operadores do porto da capital.

De acordo com a AOPL, a “acção irresponsável” do sindicato inviabilizou aumentos que “afecta[m] directamente o salário de 337 trabalhadores”, atingindo “negativamente” quem “supostamente deveria defender”.

“Perante a atitude da Direcção do SEAL, a AOPL não vê qualquer hipótese de diálogo razoável com uma estrutura sindical que usa todos os pretextos exactamente para quebrar e pôr em causa esse diálogo”, conclui a associação.

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