Os operadores portuários e os estivadores do porto de Lisboa têm encontro marcado para a próxima quinta-feira para tentarem desbloquear o impasse negocial que já motivou mais duas semanas de greve.

A reunião entre as partes desavindas esteve para acontecer no passado 24 de Maio, em plena greve dos trabalhadores portuários convocada pelo SEAL, mas acabou sendo adiada.

No entretanto, entre 21 de Maio e 2 de Junho, os estivadores cumpriram uma greve ao trabalho suplementar e nos dias feriados e de fim de semana, com os resultados previsíveis: atrasos nas operações e desvio de navios para outros portos.

“A greve correu como previsto. Os trabalhadores desenvolveram a sua actividade apenas durante o turno, o que, normalmente, não é suficiente para o Porto de Lisboa – temos algum volume de trabalho suplementar. Verificaram-se alguns atrasos no despacho dos navios e alguns foram mesmo desviados para outros portos, como Setúbal e Leixões”, disse o presidente do SEAL, António Mariano, em declarações à “Lusa”.

Para os trabalhadores está em causa a “recusa” das entidades empregadoras em actualizar a tabela salarial, congelada desde 2010, e alegadas “inúmeras práticas anti-sindicais”.

“As empresas têm dificultado a realização de plenários e recusam-se a aceitar a sindicalização dos trabalhadores”, explicou António Mariano.

O sindicato acusou ainda um grupo de empresas de aplicar “chantagem” sobre os trabalhadores, querendo levar alguns elementos a aceitar “a assinatura de um contrato individual de trabalho com uma empresa do mesmo grupo”, defendendo que esta atitude figura uma “completa violação do contrato colectivo de trabalho”.

António Mariano referiu ainda que, caso não haja resposta às reivindicações, os estivadores não descartam a possibilidade de avançar com novas formas de luta.

“Não gostaria de antecipar o cenário, mas se não houver entendimento, todas as razões que nos levaram a decretar esta greve mantêm-se”, concluiu.

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