Apesar da liberalização do mercado, o transporte ferroviário de mercadorias em Espanha regista quedas sucessivas e os operadores privados estão em “pé de guerra”. Queixam-se da concorrência “desleal” da Renfe.

O mercado caiu para metade em 10 anos, em contraciclo à média europeia, que cresceu 4% ao ano no mesmo período. A situação não é importante apenas pela dimensão da ferrovia no país vizinho (factura 400 milhões de euros e gera três mil empregos directos e nove mil indirectos), mas sobretudo pela sua importância como sector estratégico.

Os sete operadores privados espanhóis consideram que o factor para a crise do sector é a concorrência desleal da parte da Renfe, a qual consideram ser protegida por uma liberalização mal feita desde 2006. “A Renfe Mercadorias tem praticado uma estratégia de preços predadores que arrastam todo o sector para uma situação insustentável e a própria Renfe para prejuízos milionários recorrentes, compensados com subvenções de outras áreas de negócio”, acusa Diego Pedrero, director da Asociación de Empresas Ferroviarias Privadas, citado pelo “El País”.

Os operadores consideram, de resto, que foi a política de preços da Renfe que levou a que as sete empresas privadas apenas tenham conseguido uma quota de mercado de 20% em sete anos. O sector privado acusa o próprio governo de Madrid de não fazer nada para acabar com as más práticas, acrescentando às alegadas questões de concorrência os problemas infra-estruturais, com destaque para o facto da bitola das linhas de mercadorias permanecer diferente da europeia.

O secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Habitação de Espanha, Rafael Catala, reconhece a situação e defende que se encontre um parceiro industrial para atrair tráfego internacional para salvar a divisão de carga da Renfe.

O problema é que o sector não acredita que isso seja possível, pois a Renfe Mercadorias tem uma dívida de 326,3 milhões de euros (próxima dos 377 milhões de capital social), regista prejuízos de 61,7 milhões e tem uma capacidade instalada de empregados e comboios que duplica o volume de trabalho.

Os especialistas defendem que os problemas do transporte ferroviário de mercadorias em Espanha vem de longe e que o camião tem ganho terreno ao comboio desde 1995, ao contrário do que sucede no resto da Europa.

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