Em Portugal, nos portos, há algum tempo, sofrem-se as consequências de uma cultura “do politicamente correto”, uma cultura que se espalhou pela sociedade portuguesa e que tem no Medo o seu esteio de crescimento.

Jaime Vieira dos Santos

Presidente

Comunidade Portuária de Leixões

A cultura “do politicamente correto” utiliza, essencialmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde se inscrevem os direitos humanos básicos, e usando temas naturalmente muito sensíveis para as Pessoas, uns de âmbito sociológico, outros de âmbito antropológico ou mesmo étnico, aos quais se junta o Ambiente, num cabaz de virtude feito à medida de Grupos onde é possível identificar uma “cultura de Tribo”, oferece-lhes bandeiras ideológicas, politicamente corretas, cheias de magnanimidade,  verdadeiras ligas de bondade. Mas, de facto, no fim, essas bandeiras e esses Grupos Tribais nada têm para dar aos Outros, bem pelo contrário, muito esperam receber deles, em seu exclusivo interesse pessoal.

O comum das Pessoas tem Medo de afrontar esta cultura, visto que os Grupos Tribais que lhe estão associados promovem radicalismos diversos em todos os patamares da sociedade.

Arrastadas pelo Medo, as Pessoas, enquanto Cidadãos Nacionais, chegam ao ponto de se culpabilizar pelo seu passado histórico e logo pedem desculpa, entregando-se, deste modo, ao campo da Tribo em prejuízo do seu próprio! Sempre que isto acontece, fomos além do simples Medo e chegamos à circunstância em que há Medo de ter Medo!

Ora, nos portos portugueses, o Ambiente e o Trabalho Precário são o rosto deste caminho, com objetivos claramente de dominação autoritária destas nossas infraestruturas, a qual, por vezes, é acompanhada de violência.

Estes Grupos assumem a virtude implícita na bondade de uma luta por melhores práticas ambientais ou por melhores relações socio-laborais, mas fazem-no num sentido único de afirmação própria, sem qualquer respeito pelos interesses daquilo que dizem proteger.

Alguns destes Grupos Tribais têm representação no Parlamento, à direita e à esquerda, e, não raras vezes, têm a complacência dos Poderes Executivos Instituídos e Legitimados pelo voto.

É assim que nos portos portugueses não há investimento algum que se promova, que não tenha a oposição de minorias encantadoras, sedutoras, que, através de cartazes ou pela encenação, ganham uma visibilidade mediática que nunca é concedida, na mesma proporção, ao mérito do investimento e aos seus reflexos positivos na Sociedade Portuguesa à qual ele se dirige, incluindo, paradoxalmente, às Pessoas da própria Tribo que o contestam.

Também é assim que nos portos não há calendário politico deste País, que não arraste para a luta politica os portos de Lisboa e de Setúbal (em especial Lisboa), com o eterno cavalgar do tema da precaridade, transportado aos ombros pelos Novos Sacerdotes e pelas Novas Sacerdotisas da Virtuosa Luta de Classes do Séc XIX mas que, no século XXI, está a conduzir ao despedimento coletivo dos Trabalhadores Portuários no Porto de Lisboa.

Nada é deixado em vão por estas Tribos da Virtude para demonizar os portos, pondo em risco a sua razão de ser: a defesa estratégica de Portugal devido à dependência do uso do Transporte Marítimo para cargas que garantem a nossa sobrevivência!

O País tem na Via Marítima a solução de transporte, exclusiva, para a importação de graneis alimentares, petróleo e carvão, ou seja, a solução para a sobrevivência alimentar e energética dos Portugueses, a que se juntam as Exportações que, igualmente, muito dependem do transporte marítimo, embora não de forma exclusiva, e que se conjugam com a nossa sobrevivência financeira.

Para estes Grupos de cultura Tribal, nada disto conta!

Alimentam-se da nossa complacência ao dar-lhes espaço e usam-na para nos extasiar com pequenos gestos que interpretamos no nosso sentido, para um pouco mais à frente logo percebermos que, esses gestos, afinal, nem sequer eram um cântico da encantadora Sereia mas, antes, um cântico da vingativa Nemésis.

Temos tido Medo! Estes Grupos cresceram até agora no alimento do nosso Medo em os afrontar!

Em Leixões, no que ao Trabalho Portuário concerne, em tempos não muito distantes, afrontámos, com sucesso, a turbulência portuária vinda do Sul! Ao fazê-lo, criamos desconforto e, também, algum sussurro crítico!

Porém, a realidade está a mostrar-nos que valeu a pena!

A realidade está a dar sinais de mudança!

Hoje, todos os portos estão a rejeitar as Tribos!

O último é o Porto de Lisboa!

Temos de estar muito solidários com este porto e com o percurso muito duro que tem pela frente. Temos de apoiar incondicionalmente a luta do Porto de Lisboa!

Nestas árduas circunstâncias e de modo a assegurar, reforçar, a atratividade dos portos portugueses, no Portugal Portuário, de hoje, já não chega a lubrificação dos canais logísticos para a redução da sua viscosidade com o objetivo de ganhar fluidez!

Precisamos de ir mais além: Precisamos de desobstruir!

Precisamos de limpar os sedimentos que permanecem no canal, alterando processos e eliminando práticas de bloqueio, com muita coragem enfrentar as Tribos, o que só é possível com o empenho fortemente ativo de Todos os Atores do Setor Portuário Português.

 

 

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