A integração dos portos num Ministério onde se encontram todos os meios de transporte é, sem dúvida, uma condição de coerência, mas apenas suficiente, pois será a economia a sua condição necessária!

Vieira dos Santos

Presidente da Comunidade Portuária de Leixões

Depois de duas fases de desenvolvimento portuário pautadas pelos conceitos estratégicos da produtividade, primeiro, e do valor, depois, entramos numa terceira fase em que o “driver” é a informação e o conhecimento.

É o momento impulsionado pela tecnologia digital que conferirá aos portos, em conjunto com os conceitos das fases anteriores, uma dinâmica de aceleração em que a fluidez, a leveza nos processos, atingirá patamares nunca antes sentidos. É a fase do Smart Port em que o conhecimento é o conceito estratégico.

O OFFLINE e o ONLINE confundir-se-ão num ambiente portuário colaborativo capaz de provocar a aceleração da passagem dos fluxos de carga, sempre na busca do “Compressing Time”.

A isto juntar-se-á o Ambiente como fator condicionante, mas proactivo na construção das soluções fluídas e leves.

Ora o XXII Governo da República tomou posse este fim de semana e os portos, tanto quanto se ouve, deixarão o Ministério do Mar para integrar o das Infraestruturas e da Habitação.

Aqui, nesta Tutela, estará com os restantes meios de transportes o que será bom, mas enquanto condição suficiente para a coerência da coordenação dos mesmos meios na busca das melhores soluções de transporte, soluções mais eficientes e mais eficazes.

É um “Ministério de Obra”, permita-se a redução! Obra todavia importante, pois todos sabemos que nos nossos portos abundam planos com Obras necessárias, mas onde faltam decisões para as executar.

Mas a execução tem de ser coerente, tem de ser compreensiva, de modo a manter os nossos portos como referência no Mapa Mundial de Portos, ambicionando, porém, melhorar sempre o seu desempenho.

Como se disse a integração dos portos num Ministério onde se encontram todos os meios de transporte é, sem dúvida, uma condição de coerência, mas apenas suficiente, pois será a economia a sua condição necessária!

Nos portos somos parte da Cadeia Logística por onde se movimentam bens produzidos pela economia e, por isso, nos portos, os nossos padrões têm de corresponder às expectativas da economia e não a quaisquer outros ditames fora dela.

Ora a competitividade da economia espera dos portos a velocidade no seu desempenho e isso obriga a juntar em altos rendimentos de eficiência e de eficácia, a produtividade, o valor e o conhecimento.

Assim, focado nestes conceitos, o “Ministério da Obra” tem de ser seletivo, muito seletivo, na lista da Obra física e virtual a executar, dando prioridade àquilo que para a economia é uma prioridade: portos ágeis, rápidos, economicamente sustentáveis e com politicas ambientais seguindo as melhores práticas.

o “Ministério da Obra” tem de ser seletivo, muito seletivo, na lista da Obra física e virtual a executar, dando prioridade àquilo que para a economia é uma prioridade: portos ágeis, rápidos, economicamente sustentáveis e com politicas ambientais seguindo as melhores práticas.

Neste sentido, a JUL tem de ganhar mais espaço de implementação do que a mera vontade expressa de que assim seja; mas a implementação da JUL não esgota as necessidades de investimento dos portos portugueses  neste novo paradigma tecnológico;

é preciso construir um Plano Estratégico para o Digital nos Portos Portugueses;

como obra física, a estação do caminho de ferro de Leixões tem de ser removida para a Plataforma Logística;

a Extensão do Quebra Mar de Leixões tem de prosseguir e um Cais a -14m para a atracação de navios de contentores tem de ser construído com urgência;

o novo Terminal do Barreiro deve ser abandonado porque não se justifica;

em termos de Governance, a instabilidade laboral em alguns portos, Lisboa e Setúbal tem de acabar;

o Porto de Aveiro tem de se alinhar com a politica de Concessões do País;

os Portos Secos têm de ser imediatamente articulados com os portos marítimos;

a Governance dos portos tem de devolver autonomia às Administrações Portuárias que deverão ser responsabilizadas pela construção e execução dos Planos Estratégicos para os respectivos portos;

os Horários das Alfândegas têm de corresponder aos dos portos;

as Comunidades Portuárias têm de ser incentivadas constituindo-se como Parceiros do Diálogo para a Estratégia Portuária.

Esta lista não esgota o conjunto de temas para os quais é necessária Obra Física e N/Física para que os Portos Portugueses subam no patamar de referência no Mapa Mundial de Portos.

O Ministério das Infraestruturas e da Habitação é uma condição suficiente para que isso aconteça, mas a condição necessária encontra-se no Ministério da Economia e da Transição Digital.

A articulação perfeita entre estes dois Ministérios será chave (condição suficiente e necessária) para o sucesso da politica portuária nos Portos Portugueses, tanto mais que o Ministério da Economia também absorve a Transição Digital e, então, cabe perguntar onde se vai encaixar a JUL, em particular, na circunstância em que a DGRM tem liderado o processo e pela sua natureza (os Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos) tem um berço de acolhimento no Ministério do Mar onde, de resto, tem estado, mas que fica fora do âmbito dos dois Ministérios que interferem, direta ou indiretamente, com os portos.


 

 

 

 

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