Tal como está é impossível à CP tornar-se independente do Estado, como define o acordo de Portugal com a “troika”, avisa José Benoliel, o presidente da companhia.

A razão é simples, explicita aquele gestor em entrevista ao “DE”: a empresa tem os cofres vazios e, como se isso não bastasse, está sujeita a vários constrangimentos legais.

O maior problema, sem dúvida, é o passivo. A CP sobrevive à custa dos empréstimos do Tesouro. Pagar a dívida de médio e longo prazo implicaria, nas contas de José Benoliel, aplicar nisso todos os proveitos operacionais recebidos durante 11 anos.

Sem dinheiro não é possível pensar em investimentos. Nem mesmo em despedimentos. O grupo emprega cerca de cinco mil trabalhadores e precisaria de dispensar uns 800. Mas no actual quadro legal cada empresa apenas pode dispensar anualmente 80 trabalhadores com acesso ao fundo de desemprego. No ano passado foram 71 os dispensados, este ano o número voltará a ser residual, prevê o presidente do Conselho de Administração.

Entretanto a CP prevê receber até 31 de Julho, da AT Kearney, o estudo sobre a “privatização” das linhas suburbanas, já prevista no PEC IV e reafirmada no acordo com a “troika”.

O estudo deverá considerar as vantagens e desvantagens, para a CP, dos diferentes modelos de concessão, nomeadamente se os privados deverão assumir, ou não, a infra-estrutura, o material circulante e o pessoal afecto a cada exploração. Da mesma maneira pretende-se saber se será mais vantajoso concessionar as linhas suburbanas de Lisboa e Porto em bloco, ou fazer tal concessão linha a linha.

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