O regresso dos ataques de pirataria contra navios mercantes ao largo da costa da Somália está a atingir os bolsos de armadores e companhias de transporte marítimo. A conclusão é da ONG Oceans Beyond Piracy (OBP).

Pirataria

No relatório The State of Maritime Piracy 2016, a OBP quantifica o custo económico da pirataria na Somália em 1 700 milhões de dólares (1 550 milhões de euros) no ano passado, contra 1 300 milhões de dólares (1 187 milhões de euros) em 2015.

Este total inclui os custos suportados pelos operadores marítimos com o aumento dos seguros, os guardas armados e outras medidas de protecção, bem como resgates pagos por seguradoras e os custos das forças navais, informou a “CNBC”.

Estes custos tinham vindo a baixar desde os sete mil milhões de dólares (6 388 milhões de euros) alcançados em 2010, devido a medidas de contra-pirataria. No entanto, o relatório da OBP agora revelado indica que uma menor vigilância por parte da comunidade naval, bem como a contratação de equipas mais pequenas de segurança privada, pode ter encorajado grupos piratas.

Enquanto nenhum navio foi sequestrado em 2016, houve 27 incidentes relatados de actividade pirata, segundo o relatório.

Já em 2017, verificaram-se dois sequestros de alto impacto perpetrados por piratas somalis, incluindo o navio-tanque Aris-13, em meados de Março, e um navio indiano, em Abril.

A analista sénior para África da consultora de risco Verisk Maplecroft, Emma Gordon, criticou as companhias de transporte marítimo por serem complacentes, depois de apenas 31,5% dos operadores terem guardas armados a bordo no final de 2016.

“A pirataria somali ainda está muito longe dos níveis de 2012. No entanto, os recentes ataques realçam que os grupos piratas permanecem operacionais e serão rápidos em capitalizar embarcações que não cumpram rigorosamente as medidas de segurança avançadas”, afirmou a especialista, citada pela “CNBC”.

“A importância de ter guardas armados é evidente quando se olha para os dois recentes incidentes de navios-tanque. Em Outubro de 2016, um navio-tanque químico com pavilhão britânico evitou uma tentativa de sequestro quando os guardas armados se envolveram com piratas num tiroteio. Em contrapartida, o Aris-13 – o primeiro navio comercial sequestrado desde 2012 – não tinha guardas armados, e estava a ignorar as melhores práticas de orientação sobre a rota e velocidade”, indicou Emma Gordon.

 

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