O plano de auxílio à TAP foi uma imposição da Comissão Europeia (CE), com o Governo a defender o “recurso ao quadro temporário” da Covid-19, afirmou o ministro das Infraestruturas.

“[Este plano] foi o único que foi aceite [pela Comissão Europeia]. Não fomos nós que o propusemos, foi a CE que o impôs, sublinhou o ministro Pedro Nuno Santos, em entrevista ao ‘podcast‘ “Política com Palavra”, do PS, referindo-se ao plano de resgate da TAP.

Por essa razão, “a opção que está em cima da mesa é a única” que Bruxelas “disse que estava disponível para a TAP”, prosseguiu Pedro Nuno Santos.

O ministro também foi questionado sobre se tem confiança na actual Comissão Executiva da TAP para fazer o plano de reestruturação da empresa. “Confio no Conselho de Administração [da TAP]”, respondeu.

Durante a entrevista, o ministro das Infraestruturas considerou que “o actual CEO [Antonoaldo Neves] da TAP valoriza em demasia a briga”, acrescentando que não acredita “que seja preciso brigar” com Bruxelas, mas “é preciso trabalhar”.

Pedro Nuno Santos disse ainda que lhe faz “muita confusão que o CEO de uma empresa que está de mão estendida ache que se possa relacionar com o Estado” desta maneira. “Como se nos estivessem a fazer um favor”, criticou o governante.

Na terça-feira, o presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, admitiu que a Comissão Executiva da transportadora está disponível para aceitar um membro indicado pelo Estado, que actualmente só está presente no Conselho de Administração.

Antonoaldo Neves, que falava na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, em Lisboa, sublinhou não ver “qualquer problema” que o Estado, enquanto accionista da TAP, esteja também representado na Comissão Executiva, considerando até uma opção “produtiva”.

O ministro acrescentou ao ‘podcast‘ do PS que viu as declarações de Antonoaldo Neves com “alguma perplexidade”, já que quem “vai fazer a injecção” de capital na empresa é o Estado português, logo, não “era a actual Comissão Executiva que estaria a fazer um favor ao demonstrar disponibilidade para aceitar um membro da Comissão Executiva”.

Pedro Nuno Santos disse, no entanto, que o importante, “nesta fase”, é “garantir o que se faz a cada cêntimo” que vai ser injectado na TAP e que o sistema de controlo e de monitorização que foi proposto “é muito mais eficaz do que simplesmente ter um membro numa Comissão Executiva” onde o Estado não seria maioritário.

A Comissão Europeia aprovou em 10 de Junho um “auxílio de emergência português” à TAP, um apoio estatal de 1 200 milhões de euros para responder às “necessidades imediatas de liquidez” com condições predeterminadas para o seu reembolso.

Porém, uma vez que a TAP já estava numa débil situação financeira antes da pandemia de Covid-19, a empresa “não é elegível” para receber uma ajuda estatal ao abrigo das regras mais flexíveis de Bruxelas devido ao surto, que são destinadas a “empresas que de outra forma seriam viáveis”.

Aos deputados, Antonoaldo Neves disse que não esperava “nada menos do que uma Comissão Europeia extremamente dura” nas contrapartidas exigidas à companhia aérea pelo auxílio que vai receber e lamentou não ter sido dado à TAP auxílio estatal em forma de garantias, para pagamento de empréstimos com os bancos privados.

O presidente executivo considerou mesmo “injusta” a decisão da Comissão Europeia de não permitir que a TAP recorra ao mecanismo especial de apoio às companhias aéreas, no contexto da pandemia de Covid-19, por considerar que a transportadora que lidera estava já com problemas antes do surto.

O presidente executivo também disse ser “óbvio” que a TAP não tem condições para pagar em seis meses o empréstimo que vai receber de até 1 200 milhões de euros e que queria apresentar o plano de reestruturação em três meses.

This article has 1 comment

  1. Pedro Nuno Santos é “o 2º JAMAIS à imagem de Mário Lino”, afinal Bruxelas desmentiu categoricamente afirmação Ministerial “NÃO FOI NADA IMPOSTA” !
    vergonha do Ministro “comunista” do BE !

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