O Governo aposta em protelar o mais possível a construção de um novo aeroporto para Lisboa. Ao mesmo tempo, dá à Vinci a possibilidade de fechar ou subconcessionar os outros aeroportos.

Quando o processo do NAL avançou, estimava-se que o aeroporto da Portela atingisse a saturação em 2017, quando movimentasse entre 16,7 milhões e 19,5 milhões de passageiros. Agora, o Executivo de Passos Coelho estica o prazo de validade até aos 22 milhões, e nem mesmo assim a construção do novo aeroporto será inevitável.

De acordo com o contrato de concessão firmado com a Vinci, e a que o “DE” terá tido acesso, os 22 milhões de passageiros movimentados num ano são apenas um dos critérios a considerar na decisão de avançar com o NAL. Mas haverá outros, pelo que o limite de passageiros poderá ser ultrapassado.

A intenção óbvia é adiar o mais possível a construção do novo aeroporto. Lisboa processou no ano passado pouco mais de 15 milhões de passageiros. Os 19,5 milhões previstos para 2017 configuravam o cenário mais optimista. Os 22 milhões demorarão seguramente mais uns bons anos a atingir.

Por outro lado, a Vinci ganha a prerrogativa – que era da ANA – de ampliar, desactivar ou mesmo encerrar aeroportos. Além do que o contrato de concessão prevê a possibilidade do estabelecimento de parcerias públicas regionais.

A ser certo que é Lisboa que alavanca os outros aeroportos, a Vinci poderá encontrar aí uma hipótese de reduzir custos e melhorar a performance noutras infra-estruturas. A Norte, há muito que a Área Metropolitana do Porto reclama intervir na gestão do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Noutra situação, no Alentejo, as estruturas regionais poderiam ser envolvidas na viabilização do aeroporto de Beja, e assim por diante.

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