O porto de Setúbal está praticamente parado há um mês, desde que os trabalhadores eventuais – a maioria dos estivadores – se recusaram a apresentar ao trabalho em protesto contra a precariedade.

Estivadores paralisam o porto de Setúbal

Foi a 5 de Novembro que o conflito laboral no porto de Setúbal subiu de tom. À greve ao trabalho extraordinário convocada pelo SEAL em solidariedade com os trabalhadores seus filiados em Leixões e no Caniçal, juntou-se o protesto dos estivadores eventuais, que se recusaram a prestar trabalho.

Em causa a situação de precariedade em que vivem cerca de 100 trabalhadores da Operestiva (mas não só), alguns há cerca de 20 anos, sem contrato de trabalho e pagos ao dia.

A situação agravou-se ainda quando há cerca de duas semanas foi operado um navio para escoar veículos da Autoeuropa com recurso a estivadores exteriores ao porto sadino. Aí, a paralisação foi total.

Entretanto, entre trocas de comunicados e acusações envolvendo o SEAL, os operadores portuários e a própria ministra do Mar, foram tentadas negociações para desbloquear a situação. E o acordo esteve quase à vista na passada sexta-feira. Faltou o quase.

Então, patrões e sindicatos acordaram a contratação de 56 estivadores (com divergências quanto ao modo de fazer as contas) e negociaram as condições aplicáveis aos demais. Mas tudo se esboroou quando os operadores reclamaram o fim da greve ao trabalho extraordinário, e o SEAL recusou.

A greve ao trabalho extraordinário, recorde-se, é nacional (na medida da representação local do SEAL), e tem como objectivo declarado denunciar as alegadas práticas anti-sindicais e discriminação dos filiados do sindicato de António Mariano em Leixões e no Caniçal. O SEAL diz ter provas do que denuncia; o sindicato de Leixões já denunciou às autoridades perseguições e ameaças que atribui ao rival.

No meio de tudo isto, o porto de Setúbal continua parado.

As empresas de trabalho portuário garantem que o conflito laboral já está a afastar muitos navios para outros portos e sublinham que alguns poderão não voltar a operar tão depressa em Setúbal. Em comunicado, a Operestiva admite mesmo reequacionar a viabilidade da empresa.

Lisboa em dificuldades

A paralisação dos estivadores precários e, mais ainda, o “caso” do navio da Autoeuropa centraram em Setúbal as atenções relativas à greve dos trabalhadores precários.

Mas não é só Setúbal que está em perda. O porto de Lisboa continua a ser o mais afectado pela greve ao trabalho extraordinário que já dura há meses e tem o fim anunciado para as 8 horas de 1 de Janeiro.

Antes de Setúbal, já em Lisboa vários armadores reduziram ou cessaram mesmo a actividade.

Com menos navios e cargas para operar, a empresa de trabalho portuário, detida pelos operadores dos terminais a quem cede mão-de-obra, perdeu receitas e estará em situação de falência técnica e em risco de insolvência.

 

Este artigo tem1 comentário

  1. Por culpa do António Costa e da Ana Paula Vitorino que lhe dá “a mão e o braço” em Setúbal e Lisboa há muitos anos, quiseram a Geringonça ai está o PCP & BE a desgovernar Portugal, a seguir a AUTOEUROPA e as multinacionais vão embora e os estivadores vão todos para o desemprego, e é o que merecem, que vergonha !

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