Os portos europeus precisam de 48 mil milhões de euros de investimentos na próxima década. A conclusão é de um estudo da ESPO, efectuado no âmbito de uma consulta pública prévia ao novo Mecanismo Interligar a Europa II (CEF II, na sigla em inglês).

Os portos devem, de acordo com o documento da ESPO, “continuar a investir numa infra-estrutura moderna, sustentável e bem conectada”. A organização destaca a contribuição dos portos, “não só como nós da rede de transporte, mas também em termos de transição de energia, atracção de indústria e logística, conectividade de passageiros ou como infra-estrutura crítica “.

O investimento reivindicado pelo relatório deve-se principalmente a factores externos, como o crescimento dos fluxos comerciais, as novas tendências do sector marítimo, os novos requisitos ambientais, a digitalização, a automação, o desenvolvimento urbano e os desafios de segurança. “Esta ampla gama de factores de investimento leva a uma gama muito diversificada de necessidades de investimento”, defende a ESPO.

Apesar dessa diversidade, os investimentos em infra-estrutura marítima e conexões para o interior representam mais de metade dos projectos de investimento considerados necessários para os próximos dez anos.

Portos arrecadam só 4% do CEF

A ESPO lamenta que, apesar do reconhecimento geral do papel importante dos portos e das suas diversas responsabilidades, os projectos promovidos pelas autoridades portuárias só conseguiram atrair 4% dos fundos do CEF até o momento e apenas um terço dos projectos apresentou financiamento recebido.

Para mudar esta situação, o relatório defende mais solidez neste programa comunitário. Com este objectivo, a associação pretende que os subsídios sejam uma componente essencial do financiamento de projectos portuários com alto valor acrescentado e rentabilidade financeira reduzida. A entidade espera que seja definida uma metodologia transparente para definir o valor acrescentado na UE, que vá além dos projectos transfronteiriços.

A ESPO defende ainda uma melhor análise ao custo-benefício dos projectos financiados, assim como uma visão de longo prazo para melhor preparação dos investimentos. A entidade pretende, por fim, que Bruxelas permita que projectos portuários mais pequenos, que não implique financiamento do Estados, não precisem de aprovação prévia do Estado-membro.

 

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