A ligação ferroviária Sines/Algeciras – Madrid – Paris é a mais barata e a de mais rápida concretização entre os três corredores ibéricos, defenderam em Badajoz representantes de sete regiões de Portugal, Espanha e França.

O “Congresso Transnacional do Eixo 16” reuniu em Badajoz representantes do Alentejo, da Extremadura, Castela-La Mancha, Aragão, Madrid, Aquitânia e Midi-Pirinéus. Objectivo: debater e sublinhar a importância da construção da ligação ferroviária dos portos de Sines e Algeciras, e das plataformas logísticas de Badajoz e Saragoça, às capitais Lisboa, Madrid e Paris.

E foram muitos os argumentos favoráveis à ligação, expressos nos dois dias de trabalhos. Desde logo, o facto de se tratar de um eixo dedicado ao transporte de mercadorias, ao passo que os corredores Atlântico e Mediterrânico privilegiam a componente de passageiros. U estudo do governo de Aragão aponta para um tráfego potencial de 34 milhões de toneladas/ano em 2035.

Igualmente sublinhado foi o facto de ser mais rápido, e mais barato também, construir esta ligação, uma vez que nela se poderão integrar linhas já existentes, mormente em território espanhol. Não foram apresentados números sobre o montante global do investimento, mas, em defesa da travessia central (sob os Pirinéus, em túnel) foi dito que o seu custo, estimado em 11-12 mil milhões de euros seria compensado pela geração de riqueza equivalente, acrescida de ganhos anuais de 1,2 mil milhões de euros.

Lídia Sequeira, presidente do Porto de Sines, foi uma das oradoras convidadas do encontro de Badajoz, tendo ali defendido a necessidade de um corredor ferroviário competitivo entre Sines e o centro da Península Ibérica, para servir o acréscimo de volume de cargas esperado para o porto alentejano com o alargamento do canal do Panamá, e para potenciar a sua condição de “porta atlântica da Europa”.

O presidente da CCDR do Alentejo também participou no evento e sustentou que o Eixo 16 poderá representar uma redução de cerca de 30% nos custos de transporte de mercadorias. O mesmo responsável deu conta da intenção de afirmar o Alentejo – com a ajuda da Extremadura – como “ a frente atlântica de contactos com a América e África”.

No encerramento do encontro, a ministra do Fomento espanhola disse o que todos quereriam ouvir: que o corredor ferroviário do Eixo 16 é “necessário, viável e rentável”, e até compatível com os corredores do Mediterrâneo e do Atlântico. Mas avisou que agora haverá que encontrar “a melhor proposta de financiamento e de planificação que garanta essa rendibilidade económica e social”.

 

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