A Portway espera readmitir os trabalhadores afectados pelo despedimento colectivo dentro de quatro a cinco anos.

Ryanair - Aeroporto de Lisboa

Jorge Ponce Leão, presidente da companhia, que hoje foi ouvido na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, no âmbito de um processo de despedimento colectivo que afecta 257 trabalhadores, garantiu que a Portway tem “a expectativa” de recuperar a actividade que tinha, antes de rescindir o contrato de prestação de serviços com a Ryanair, “em quatro a cinco anos” e voltar a admitir os funcionários.

Ponce Leão salientou ainda que os trabalhadores afectados pelo despedimento não deverão sentir grandes alterações no seu rendimento disponível durante este período, já que poderão acumular parte da indemnização com a possibilidade de trabalharem para a Ryanair – que vai passar a fazer self-handling -, ou de serem usados em contratos temporários , atendendo aos picos de actividade dos aeroportos.

O presidente da Portway adiantou também que o critério para o despedimento não foi a antiguidade dos trabalhadores, e sim os que auferiam salários mais elevados, pelo que irá pagar um montante de indemnizações 15 vezes mais elevado.

Ponce de Leão reforçou que um terço da actividade da Portway dependia da Ryanair e que, a partir da altura em que a transportadora low cost irlandesa passou a dispor dos “instrumentos adequados para aceder ao self handling”, soube que iria “inevitavelmente” terminar o contrato, até porque se recusou a aceitar as exigências da companhia aérea que pretendia uma redução de 30% das tarifas.

Referiu ainda que qualquer empresa pode exercer self-handling a partir do momento em que tenha as licenças necessárias e que a gestora dos aeroportos ANA – a que também preside – não poderia negar a atribuição da licença à Ryanair, depois da autoridade reguladora (ANAC) o fazer.

A Portway deixou de prestar serviços à Ryanair no aeroporto de Faro no final de Março e o mesmo acontecerá em Junho, no do Porto, e em Outubro, no aeroporto de Lisboa.

Segundo a Portway, o despedimento colectivo abrangerá 26 trabalhadores a tempo inteiro e 28 a tempo parcial (40 postos de trabalho) no aeroporto de Faro, em Lisboa 61 a tempo inteiro e 20 a  tempo parcial (71 postos de trabalho) e no Porto 76 a tempo inteiro e 46 a tempo parcial (99 postos de trabalho).

O processo negocial com os trabalhadores envolvidos inicia-se na próxima semana e alguns já se ofereceram para rescindir com a empresa, adiantou Ponce de Leão, salientando que não está “disponível para suspender o processo”, mas sim para
minimizar o impacto social do despedimento colectivo.

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