Apesar dos apelos em contrário, o contrato de venda de 61% da TAP ao consórcio Atlantic Gateway é mesmo assinado hoje. Para afastar o risco de os aviões ficarem no chão, os privados aceitaram injectar já 150 milhões de euros na companhia. Fernando Pinto mantém-se como CEO.

TAP - Fernando Pinto

O Governo aprovou, em Conselho de Ministros, o texto final do contrato de privatização da TAP e o documento será hoje mesmo assinado, em privado.

O Executivo e a Parpública fizeram, assim, “orelhas moucas” aos apelos (do PS) e às ameaças (da associação Peço a Palavra) para que o contrato não fosse assinado e esperasse pelo novo Executivo.

A situação de emergência da companhia é a justificação avançada e terá sido o motivo que levou o consórcio de Humberto Pedrosa e David Neeleman a aceitar injectar já (num prazo de cinco dias) 150 milhões dos 338 milhões de euros com que se comprometeu a capitalizar a transportadora aérea.

Ou seja, o consórcio estava obrigado a meter na TAP 269 milhões de euros até 23 de Junho de 2016, mas aceitou avançar já 150 milhões. Para o restante mantém-se o prazo inicialmente previsto – se falhar a operação será revertida sem direito à devolução do dinheiro já aplicado, foi hoje sublinhado no final da reunião do Conselho de Ministros.

Àqueles 269 milhões de euros acrescerão quatro tranches trimestrais de 17 milhões de euros, pagáveis ao longo de 2016, o que perfaz os aludidos 338 milhões de euros.

 

Anulação da privatização fica mais difícil

Além de resolver eventuais problemas imediatos de tesouraria da TAP, a injecção dos 150 milhões de euros torna mais difícil, para não dizer impossível, a anulação da privatização da TAP, como pretende o PCP, que já apresentou na Assembleia da República uma proposta nesse sentido.

Reverter o negócio, por iniciativa do Estado, passará a custar, no mínimo, 150 milhões de euros…

O PS, é sabido, defende a manutenção da maioria do capital da TAP nas mãos do Estado. E Humberto Pedrosa, em nome do consórcio privado, já se disse disponível para avaliar a proposta de um futuro governo socialista.

No entretanto, é definitivo, Fernando Pinto será o novo CEO da TAP, por escolha de Humberto Pedrosa e David Neeleman. O gestor, que chegou à TAP em 2000 para vender a companhia ao SAir Group, não terá, no entanto, a companhia dos dois outros gestores brasileiros que integravam a comissão executiva.

O novo Conselho de Administração da TAP será constituído por 11 elementos, nove indicados pela Atlantic Gateway e dois pelo Estado. Iniciará funções amanhã, sexta-feira.

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