A anunciada liberalização da Alta Velocidade em Espanha será como um “presente envenenado”, que os operadores privados se sentem compelidos a aceitar na perspectiva de ganhos futuros.

O primeiro concurso para a escolha do concorrente da Renfe no eixo Madrid-Levante está anunciado para Setembro próximo. Entre os concorrentes deverão estar os principais players do mercado vizinho – Alsa, Comsa, Acciona, Ferrovial, etc., – aos que se poderão juntar alguns externos, como a Deutsche Bahn ou a SNCF.

O negócio proposto parece ter tudo para não ser rendível. E os privados espanhóis sabem bem o quanto perderam com a liberalização do transporte ferroviário de mercadorias, onde a Renfe continua a deter uma quota de mais de 80% do mercado.

Por isso, o Ministério do Fomento estará a ser pressionado a atribuir também à concorrência alguns horários no Madrid-Sevilha ou mesmo no Madrid-Barcelona. Para compensar, ou pelo menos minorar as perdas potenciais.

Ao mesmo tempo, alguns dos potenciais interessados estarão também a avaliar possíveis alianças entre eles. Uma forma de repartirem os investimentos e, logo, os riscos.

Apesar das dificuldades antevistas, a participação neste primeiro concurso é também entendida como uma forma de aprendizagem e, assim o esperam os privados, um modo de ganhar posição para os próximos processos, à partida mais apetecíveis.

No concurso de Setembro estará em causa uma licença única para operar no Madrid-Levante, em concorrência com a Renfe, por um período de sete anos. Desconhece-se para já se nesse período serão lançados novos concursos para outros eixos.

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