O ministro das Finanças anunciou hoje, sem justificar, o adiamento da privatização da CP Carga para o próximo ano. A TAP e a ANA continuam previstas para este ano.

O anúncio de Vítor Gaspar foi feito no decurso da conferência de imprensa de apresentação dos resultados avaliação da troika a Portugal. O adiamento da operação terá sido acordado com os representantes do Comissão Europeia, do BCE e do FMI.

A privatização da CP Carga esteve para ser a primeira deste ano. Em Março, porém, o Governo decidiu o seu adiamento para o segundo semestre. E agora a operação é atirada para o próximo ano.

O ministro não adiantou qualquer explicação para o adiamento da operação. A falta de interessados é uma hipótese muito provável. Mas a decisão poderá ter sido motivada também pela expectativa de um forte encaixe das outras privatizações, que daria folga para reservar este negócio para mais tarde.

A CP Carga registou no ano passado um prejuízo de 30 milhões de euros, que se somaram aos 36,2 milhões de perdas de 2010.

O Executivo pretende aproveitar a privatização da CP Carga para atrair um parceiro internacional do sector (o nome da DB Schenker é o mais falado), com o intuito de potenciar o tráfego internacional ferroviário de mercadorias.

Por outro lado, é certo que os terminais de mercadorias serão destacados da CP Carga, de modo a facilitar o acesso de outros operadores àquelas infra-estruturas, essenciais para o desenvolvimento do negócio.

O Grupo ETE manifestou já o seu interesse de princípio na privatização da empresa. O grupo Mota-Engil, que detém a Takargo, chegou a ser também aventado, mas recentemente Jorge Coelho negou o interesse nas privatizações em geral.

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