A privatização da CP Carga, que deveria ter inaugurado as privatizações em 2012, já nem em 2014 deverá ocorrer. Pelo menos não figura nas Grandes Opções do Plano (GOP), apresentadas há poucos dias.

O arranque do processo, agora sem data, estará dependente do que o Executivo decida fazer em matéria de investimentos na ferrovia. O que por sua vez estará sujeito às conclusões do grupo de trabalho agora criado para avaliar as necessidades de investimento em matéria de infra-estruturas e transportes. Esta será a versão oficial.

No mercado, diz-se que o Governo não sabe o que fazer com a CP Carga, porque não encontra comprador para a empresa. A operadora, com quatro anos de vida como entidade independente, acumula já capitais próprios negativos de cerca de 66 milhões de euros.

A privatização será feita sem os terminais (entretanto transferidos para a Refer), sem o material circulante (cuja propriedade e respectivos encargos será assumida pela CP) e, corre-se o risco, sem a MSC como cliente no importante negócio do transporte dos contentores marítimos de/para Sines.

A MSC assume-se como candidata à privatização da operadora pública, mas no entretanto está a trabalhar na criação da MSC Rail. Conteparque e Grupo ETE igualmente já manifestaram o interesse de princípio na operação. A DB Schenker é o parceiro internacional mais vezes falado.

No ano passado, a CP Carga transportou 8,7 milhões de toneladas. Uma quebra de 4,7% face a 2011, compensada com um aumento de igual monta (em termos percentuais) na facturação, para os 61,4 milhões de euros. Os resultados operacionais foram negativos em 9,3 milhões de euros (-20,8 milhões em 2011) e as perdas líquidas reduziram-se em 37,4% para os 19,2 milhões de euros.

Comments are closed.