Os alemães querem manter a nacionalidade da Hapag-Lloyd depois da IPO em Bolsa. Mas a solução poderá chegar de Singapura.

A anunciada dispersão em Bolsa da posição que o grupo Tui detém na Hapag-Lloyd será aproveitada para fazer um primeiro rearranjo nas posições dos membros do consórcio Albert Ballin. A ideia é manter o controlo da companhia sob a alçada alemã, mas para isso é preciso encontrar um substituto à altura dos cerca de 50% detidos pela Tui.

O consórcio Albert Ballin detém actualmente 57% da Hapag-Lloyd, mas a sua posição baixará até ao final do ano para a casa dos 50%, fruto da convrersão em acções das obrigações compradas pela Tui, num dos muitos empréstimos concedidos à Hapag-Lloyd depois de tentar vendê-la.

Klaus-Michael Kuehne, o rosto mais mediático do consórcio, estará disponível em aumentar a sua posição, mas nunca ultrapassando os 25%, avança a “Reuters”, citando uma fonte conhecedora do processo.

Já o HSH e o MM Warburg, duas instituições financeiras locais que também integram o consórcio, quererão aproveitar a ida para a Bolsa para venderem as suas posições.

E a cidade de Hamburgo, que detém 41% do Albert Ballin, estará disponível para manter a posição, mas não para a aumentar, até porque o objectivo a prazo será vendê-la.

Sem compradores, dentro do consórcio, suficientes para garantirem o controlo da Hapag-Lloyd depois da saída da Tui, urge encontrar um investidor de referência para a companhia. Um investidor financeiro, de longo prazo, e que não belisque o carácter germânico da Hapag-Lloyd.

Uma fonte bem colocada avançou à “Reuters” que a Tui e o consórcio estarão em contacto com a Temasek, o fundo soberano de Singapura, que já no passado terá demonstrado interesse na Hapag-Lloyd. Em causa estará a compra de uma posição de 10%, suficiente para, juntamente com o consórcio de Hamburgo, garantir o controlo da Hapag-Lloyd, reduzindo o “free float”.

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