O Parlamento aprovou hoje, com os votos do PSD, do PP e do PS, o diploma que fica o novo regime do trabalho portuário. Os estivadores esperam agora pelas alterações possíveis aquando da discussão na especialidade.

A principal novidade, e que já era adivinhada, foi a votação favorável do PS. Sinal de que foram bem sucedidas as negociações com o Governo, que assim aposta em isolar mais os estivadores que contestam a reforma.

Durante a discussão do diploma, o ministro da Economia criticou as greves que assolam alguns dos principais portos do país, dizendo que cada mês de paralisação custa de cerca de 400 milhões de euros. Álvaro Santos Pereira insistiu em que o objectivo da reforma é reduzir em cerca de 20%-30% a factura portuária e, logo, tornar a economia nacional mais competitiva.

O PS votou favoravelmente o diploma mas deixou o desafio ao Governo para que aceite “um debate sério e um calendário sério em sede de comissão na especialidade para ouvir todos os intervenientes no processo”.

Enquanto no interior da Assembleia os deputados discutiam o novo regime do trabalho portuário, no exterior algumas centenas de estivadores, entre os quais cerca de 90 representantes de diversos países europeus, manifestaram-se até cerca das 1h30.

A concentração frente ao Parlamento foi precedida de um desfile por várias artérias da capital. Não se verificaram incidentes, à parte o rebentamento de alguns petardos, sem consequências.

A meio da tarde, uma delegação dos manifestantes foi recebida por Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, a quem foi entregue um manifesto. À saída, Vítor Dias, dirigente da Fesmarpor, disse que haverá disponibilidade dos deputados para introduzirem algumas alterações no texto da lei.

Ainda assim, os sindicatos dos estivadores mantêm a intenção de continuar as greves, que já se prolongarão, pelo menos, até 17 de Dezembro.

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