A R.P. China propôs ao governo da Colômbia construir uma linha férrea entre as costas do Pacífico e do Atlântico daquele país, para escoar produtos chineses e importar matérias-primas da América Latina.

A notícia foi avançada pelo presidente da Colômbia ao Finantial Times e confirmada pelo jornal junto das autoridades chinesas.

O projecto prevê a criação de uma “cidade” junto a Cartagena, na costa do Pacífico, onde seriam finalizadas as exportações da R.P. China destinadas a toda a América Latina. A via férrea, além de permitir a passagem das cargas do Pacífico para o Atlântico, serviria para escoar as exportações chinesas para a América Latina e para concentrar os fluxos de matérias-primas destinadas à R.P. China.

O presidente da Colômbia garante que a proposta “é séria” e está “bastante avançada”. “Os estudos feitos sobre os custos de transporte por tonelada, os custos do investimento, tudo bate certo”. “Não quero criar expectativas exageradas, mas faz muito sentido”, reforçou ao “FT” Juan Manuel Santos.

Poderá ser, mas as fontes ouvidas pelo “FT” enumeram várias dúvidas sobre o projecto.

Afinal, o Panamá já possui uma linha ferroviária que liga o Pacífico e o Atlântico, e que não é uma alternativa ao canal porque, permitindo uma viagem mais rápida é mais cara também. O preço da futura ligação será outro óbice ao sucesso do projecto. O transporte em si custará 100 dólares por contentor, a que acrescerão 200 dólares para a sua movimentação em cada extremo da linha. Em comparação, o atravessamento do canal do Panamá custará 100 dólares/contentores.

A Autoridade do Canal do Panamá, por seu turno, mostra-se mais preocupada com a concorrência que poderá advir dos operadores ferroviários de mercadorias norte-americanos, assim se cumpram os planos de modernização defendidos pela Administração Obama.

Mas o poderio da R.P. China é cada vez mais avassalador. E a segunda economia mundial tem em curso um plano para investir 7,6 mil milhões de dólares no porto de Buenaventura e numa linha férrea de 791 km, também na Colômbia, para exportar produtos acabados e importar carvão.

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