Quem o diz é Manuel Tão, doutorado em Economia de Transportes, num estudo sobre a reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã, desactivado para construir o Metro do Mondego (MM), entretanto suspenso.

O custo estimado pelo professor da Universidade do Algarve – 60 milhões de euros – representa menos de metade dos 130 milhões de euros estimados pela Metro do Mondego para concluir as obras até Coimbra, segundo avançou à “Lusa” o presidente da Câmara da Lousã e da assembleia geral da MM.

A proposta de Manuel Tão não considera investimento em material circulante, sugerindo a utilização de composições da CP. A MM também propõe a cedência de composições da Metro do Porto e da Metro Sul do Tejo, “pagas pelo Estado”.

O estudo de Manuel Tão foi entregue à presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), na Lousã, por representantes da recém-criada plataforma cívica Lousã pelo Ramal.

Ana Abrunhosa aceitou reunir-se, em Janeiro, para analisar a proposta de Manuel Tão, que mantém a linha centenária ligada à Rede Ferroviária Nacional, permitindo a eventual retoma dos transportes de mercadorias e a instalação futura do metro em Coimbra.

A presidente da CCDRC adiantou entretanto que a escolha da solução tecnológica para o Ramal da Lousã poderá ficar decidida nos próximos dois meses.

“Não está nada decidido sobre a solução tecnológica”, afirmou Ana Abrunhosa, na Lousã, indicando que o Governo decidiu, no Verão passado, recorrer aos fundos comunitários para concluir as obras no Ramal da Lousã e frisando que a Comissão Europeia exige que sejam analisadas diferentes soluções.

No sábado passado, o primeiro-ministro anunciou que mantém o compromisso de resolver o problema do Ramal da Lousã, encerrado em 2009 para obras que foram suspensas a seguir. Passos Coelho disse, em Miranda do Corvo, que a CCDRC está a preparar o processo de candidatura no âmbito do Programa Operacional Regional e admitiu que uma das soluções poderia ser um autocarro eléctrico, entre outras opções possíveis.

Realçando que não existe “qualquer preconceito em relação à solução de metro”, nem a outras, a presidente da CCDRC defendeu a necessidade de “garantir (…) um serviço a uma população que há cinco anos deixou de o ter”.

O projecto já custou cerca de 140 milhões de euros.

A presidente da CCDRC disse ainda que, até Julho, a Comissão Europeia não estava informada oficialmente do projecto de metro que desde 1996 abrange o Ramal da Lousã. “Estava tudo por fazer”, lamentou Ana Abrunhosa, acrescentando que a Comissão Europeia “conhecia o projecto dos jornais, mas nunca lhe foram apresentados detalhes técnicos e os estudos” para instalar um sistema de metro ligeiro na cidade de Coimbra e na ferrovia entre Serpins e Coimbra B.

“Até há pouco tempo, o projecto não estava no Programa Operacional Regional”, onde “passou a estar a partir de Julho”, abrangendo apenas o Ramal da Lousã, numa primeira fase, disse.

Apesar de reconhecer que a MM, criada em 1996, ao abrigo de um diploma publicado pelo último Governo de Cavaco Silva, em 1994, “tinha feito o seu papel”, Ana Abrunhosa frisou que o Estado português, através da CCDRC e do Governo, só “conversou pela primeira vez com a Comissão Europeia sobre este projecto” no último Verão. “Foi uma preocupação muito grande, porque não víamos o financiamento em nenhum programa”, adiantou a responsável, que assumiu a liderança da CCDRC em Maio.

Comments are closed.