A Rebonave denunciou a Svitzer Portugal à Autoridade da Concorrência (AdC) por alegado incumprimento das regras da concorrência, e avisa que está em risco de extinção.

Há um ano, a Rebonave antecipava para 2018 mais um ano de crescimento (em 2017 crescera 12%). Agora diz estar “em sério risco de extinção no muito curto prazo, com uma redução actual de 40% dos seus postos de trabalho”.

A culpa, acusa em comunicado, é da Svitzer Portugal, pelas práticas “ilegais” nos portos de Lisboa, Setúbal e Sines e Portimão. Daí a denúncia à AdC.

Em causa está, concretiza a Rebonave, o “condicionamento externo das condições de concorrência no mercado relevante” dado que “uma parte substancial dos navios que demandam este mercado vêm já com os serviços de reboque contratados ao abrigo de acordos internacionais com a Svitzer Holding”, o que “limita, inibe e condiciona qualquer concorrência local, já que este regime permite reflectir acordos de incidência global nos portos nacionais”.

 

Acresce, segundo a empresa, o facto de os “preços praticados pela Svitzer Portugal para os outros clientes “remanescentes” serem sistmatica e anormalmente baixos”, por vezes mesmo “abaixo do custo” da prestação dos serviços.

No comunicado emitido, a Rebonave sublinha que a denúncia agora feita “vem na sequência de outras denúncias e processos administrativos e judiciais, já em curso, em sede da AdC e tribunais judiciais e administrativos”.

O TRANSPORTES & NEGÓCIOS está a tentar obter um comentário da Svitzer Portugal.

Svitzer também se queixou da Rebonave

Esta não é a primeira vez que a Rebonave e a Svitzer se enfrentam por questões de concorrência.

Há um ano, precisamente, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) decidiu o fim do exclusivo da Rebonave na prestação de serviços à Lisnave, na Mitrena, na sequência de uma queixa apresentada pela Svitzer.

AMT: Rebonave perde exclusivo dos reboques na Mitrena

 

 

This article has 4 comments

  1. Quando a Svitzer levar à falência todas as outras empresas de rebocadores nacionais que é isso que pretende então já não haverá o problema da concorrência. Certo?
    Como é que a autoridade da concorrência explica que uma empresa apresente sucessivos prejuízos e opera a praticar preços abaixo do mercado pura e simplesmente para destruir qualquer concorrência?

  2. A autoridade da concorrência não explica mas é muito simples, essa empresa estrangeira sabe em que bolsos deve de meter o dinheiro. Nada de estranhar pois vivemos no país dos chamados amigos (alcunha carinhosa atribuída a nossa querida classe corrupta, peço desculpa pelo erro, queria dizer política) e o mal e que eles praticamente só dispõem de uma legislatura para fazer o seu pé de meia.
    Quando as empresas nacionais forem a falência e eles ficarem sozinhos vão fazer o que quiserem e bem entenderem mas isso será problema de outro amigo noutra legislatura

  3. Alexandre Margarido

    Foram aqui referidos os problemas que atingem as empresas nacionais de rebocadores que entrentam práticas mafiosas da Svitzer com a conivência dos “amigos” certos. Uma vergonha.

  4. ligações perigosas e vantajosas da Svitzer com Autoridades e Reguladores. Postos de trabalho extintos e empresas empurradas para a falência. Todos com os olhos vendados? quem está a ganhar com a situação?