Mais de metade da rede ferroviária nacional é má ou medíocre, de acordo com um relatório técnico da Infraestruturas de Portugal (IP). Mas a gestora garante a segurança e o “desempenho globalmente positivo”.

O relatório foi hoje divulgado pelo “Público” e nele se conclui que quase 60% das vias férreas portugueses têm um índice de desempenho medíocre ou mau.

O relatório é de Maio do ano passado e reporta a 2016. Em pior estado são apontados os troços Ovar-Gaia (Linha do Norte), Tua-Pocinho (32 quilómetros na Linha do Douro) e a via estreita de Espinho a Oliveira de Azeméis e de Aveiro a Sernada do Vouga (68 quilómetros).

Sem surpresa, os troços classificados como sendo maus ou medíocres são os que há anos têm prometidas obras de modernização. E é neles também que têm acontecido os descarrilamentos.

Num nota enviada às Redacções, a IP, porém, garante que em 2016 a rede ferroviária nacional encontrava-se, “em termos médios, num estado de condição razoável, (avaliado em 5,3 numa escala entre 0 e 8) significando que em geral está adequada aos requisitos de exploração”.

De acordo com a IP, o estado das vias “constitui somente um dos 9 (nove) parâmetros avaliados neste relatório, sendo que todos os restantes indicadores de desempenho são francamente mais positivos”.

E, de facto, o “Público” refere que se  “58% das vias são consideradas más ou medíocres. Já outras componentes, como os túneis, pontes, catenária, sistemas de sinalização, agulhas, estruturas de protecção, encontram-se em melhor estado. Ainda assim, de forma desigual”.

A gestora da infra-estrutura ferroviária lembra ainda o reforço dos investimentos feitos nos últimos anos na manutenção da rede e insiste nas virtualidades do Ferrovia 2020, “o maior programa de investimentos das últimas décadas na modernização da rede ferroviária nacional”. Mesmo se as obras tardam em passar do papel para o terreno.

 

 

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  1. Não obstante a coincidência dos acidentes ocorrerem em linhas que desde à muito aguardam intervenção, Beira Alta é um caso flagrante, é de felicitar que se encontrem salvaguardadas as condições de segurança mas de repudiar os níveis de desempenho que deixam muito mas mesmo muito a desejar.