A renegociação da concessão do terminal de contentores de Leixões entre a APDL e a TCL “está fechada”, garantiu ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS o presidente da administração portuária de Leixões. A expansão do terminal de contentores Sul pode avançar, para estar concluída dentro de três anos, acrescentou Brogueira Dias.

Porto de Leixões

“O acordo está fechado. Só falta sentarmo-nos à mesa e assinar os papéis, o que deverá acontecer o mais tardar em Janeiro”, afirmou o presidente da APDL, à margem do tradicional almoço de Natal dos associados nortenhos da Agepor, que desta feita ocorreu no novo terminal de cruzeiros de Leixões.

O compasso de espera na formalização do acordo com a concessionária foi justificado por Brogueira Dias com a saída de João Carvalho, do IMT para a AMT, e pela nomeação do seu sucessor, Paulo de Andrade, como presidente da comissão de renegociação das concessões portuárias.

A partir daqui, fica o caminho livre para a expansão do terminal de contentores Sul, que verá a sua capacidade aumentada em 20-30%. Na apresentação que fez aos agentes de navegação, o presidente da APDL avançou que a expansão deverá estar concluída dentro de dois ou três anos. Até lá, Leixões estará em perigo de congestionamento permanente, a trabalhar cerca dos 90% da capacidade instalada, frisou.

TCL investe mais 45 milhões em troca de mais cinco anos

Ao cabo de anos de negociações, o acordo entre a APDL e a TCL prevê que a concessionária assuma todo o investimento necessário à expansão do terminal de contentores Sul, tendo como contrapartida a prorrogação do prazo da concessão.

Na verdade, o que está em causa não é a expansão da área do terminal mas antes a reafectação do seu espaço. No essencial, prevê-se a consolidação do solo na actual zona de depósito de contentores vazios para permitir ali o parqueamento de cheios, a criação de uma nova zona de depósito de vazios, o redesenhar de todo o layout do terminal, a criação de um terminal rodo-marítimo com duas linhas de 250 metros de comprimento e a colocação de mais equipamentos de movimentação de contentores.

Ao cabo de anos de negociações, a TCL terá aceitado pagar sozinha toda a obra de construção civil (à partida, da responsabilidade da administração portuária) e, claro, os equipamentos (sua responsabilidade), num investimento total avaliado em 45 milhões de euros.

Em contrapartida, sabe o TRANSPORTES & NEGÓCIOS, o prazo da concessão, inicialmente fixado em 25 anos, será prolongado por mais cinco.

Com este investimento, a capacidade do terminal de contentores de Leixões deverá ascender aos 850-900 mil TEU, mas já sem folga para acomodar mais crescimento.

Investimento poderá ser candidatado ao CEF

Assinado que esteja o acordo, a expansão do terminal de contentores Sul pode avançar. Dois anos é o tempo estimado para a conclusão dos trabalhos de construção. Um ano mais será o tempo necessário para ter todos os novos equipamentos instalados e a operar.

Ou seja, se tudo correr como previsto, o “novo” terminal de contentores Sul de Leixões estará pronto no início de 2019. Mas no entretanto ir-se-ão notando melhorias (e constrangimentos também…) à medida que os trabalhos forem avançando.

A expansão do terminal poderá ser um dos projectos candidatados por Portugal à próxima chamada do Mecanismo Interligar a Europa (CEF, na sigla em inglês), em Fevereiro do próximo ano. À partida, Bruxelas não aceitava investimentos em expansão de capacidade instalada, mas terá demonstrado abertura para “casos” como o Leixões, onde a expansão é (quase) uma condição de sobrevivência.

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