Para reganhar a confiança dos armadores o Porto de Lisboa terá de resolver a instabilidade laboral. Mas também decidir  o ordenamento do espaço portuário, avisa Rui d’ Orey, presidente da Agepor, em declarações ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Porto de Lisboa

“Não podia voltar a haver greves. A confiança ainda não estava restabelecida (enquanto não houvesse um novo CCT). Estes desenvolvimentos são muito negativos e vemos o futuro com a maior preocupação”, refere o dirigente máximo da associação dos agentes de navegação.

“Não conseguimos entender estas greves. Achamos que não fazem sentido. Não conseguimos perceber os objectivos [e por isso], é-nos muito difícil antever soluções” reforça.

Certo é que, depois das greves de há três anos, e quando o porto da capital ainda não tinha recuperado das perdas então originadas, este novo surto de paralisações dos trabalhadores portuários é o pior que poderia acontecer. Maersk Line e Hapag-Lloyd já suspenderam a actividade, outros armadores poderão seguir-lhes o caminho e será cada vez mais difícil convencê-los a regressar.

“Não basta que as greves acabem. Depende muito das condições em que terminem e do clima de paz social que se perceba, de forma duradoura”, alerta Rui d’ Orey. Dito por outras palavras: os armadores só se deixarão convencer quando houver um novo CCT no porto da capital.

Mas não só. “É preciso não esquecer o desafio do ordenamento do espaço portuário”, sublinha o presidente da Agepor, referindo-se às dúvidas que subsistem sobre o futuro dos terminais portuários na margem direita do Tejo (quase todos com desactiação anunciada) e sobre os projectos para a margem esquerda (com destaque para o novo terminal do Barreiro). “É preciso ultrapassar rapidamente esta situação de impasse”, frisa Rui d’ Orey.

APL admite retirar licenças aos operadores

Com o pré-aviso de greve dos trabalhadores portuários prolongado até 21 de Janeiro e ante a perspectiva da progressiva deterioração do serviço, a presidente do Porto de Lisboa avisa que, no limite, poderão ser retiradas as concessões aos operadores portuários.

“Os contratos de concessão obrigam ao cumprimento do serviço público e o que me parece é que esse serviço público pode estar aqui em causa”, disse Marina Ferreira ao “DE”.

“Existem multas e, no limite, as concessões podem ser sequestradas aos operadores por não cumprimento do serviço público”, sublinhou. “Se for necessário, tenho de fazer cumprir o serviço público, mas espero que não, até porque isso implica ainda uma paralisação maior, depois é preciso lançar concursos, foi algo que ainda nunca foi feito em Portugal”, disse.

De qualquer modo, sublinhou a presidente da APL, a “resolução do conflito tem de ser feita entre as empresas e os sindicatos”.

 

 

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