O presidente do SEAL confia num acordo que permita o regresso ao trabalho dos 150 estivadores eventuais do porto de Setúbal. Mas a greve ao trabalho extraordinário é para manter, avisa.

SEAL acredita no fim da greve dos estivadores em Setúbal

 

“Estamos a negociar, tivemos uma reunião ontem (segunda-feira). Esperemos que as próximas reuniões, quinta e sexta-feira, sejam suficientes para discutir o que falta discutir”, disse António Mariano depois de participar num encontro com estivadores de Setúbal, em que também estiveram presentes elementos que trabalham noutros portos do país e representantes da zona norte da Coordinadora de Espanha e o Coordenador Mundial do IDC (International Dockworkers Council).

“O porto de Setúbal está completamente parado, depois daquilo a que assistimos quinta, sexta e sábado [carregamento de um navio por trabalhadores estranhos ao porto de Setúbal]. Os trabalhadores da Setulsete estiveram parados nesses dias e, na segunda-feira, em plenário, os trabalhadores eventuais da Setulsete decidiram que iam também ficar completamente parados a partir de agora”, disse António Mariano, lembrando que os estivadores daquela empresa de trabalho portuário decidiram juntar-se ao protesto dos eventuais da Operestiva.

Apesar de ainda não ter sido possível alcançar um acordo na reunião efectuada ontem com as empresas de trabalho portuário de Setúbal promovida pela ministra do Mar, António Mariano admitiu hoje que houve uma
aproximação de posições e que as empresas de trabalho portuário já admitem a contratação de 56 trabalhadores eventuais.

O líder do SEAL salientou, no entanto, que é preciso salvaguardar os interesses dos restantes trabalhadores, pelo que exige que seja criada uma bolsa com outros 37 trabalhadores, que serão chamados antes de haver recurso ao trabalho extraordinário, e que os restantes tenham preferência sobre outros que, neste momento, ainda não trabalham no porto de Setúbal.

Segundo António Mariano, as empresas portuárias de Setúbal enviaram na segunda-feira à noite uma proposta de acordo ao sindicato, mas que, não só foi feita à margem das negociações promovidas pela ministra do Mar, como também não corresponde à expectativa dos estivadores e só é válida até às 23 horas de hoje, terça-feira.

Apesar de reconhecer as dificuldades na obtenção de um acordo, António Mariano disse esperar que seja possível ultrapassar todas as questões nas próximas reuniões, mas advertiu desde já que a greve ao trabalho extraordinário contra a discriminação dos trabalhadores de outros portos do país filiados no SEAL se vai manter até que acabe essa discriminação na distribuição de trabalho e no salário.

O líder da CGPT/Intersindical, Arménio Carlos, que marcou presença no encontro apesar de o SEAL não ser filiado naquela central sindical, também se solidarizou com o protesto dos estivadores e reafirmou as críticas ao Governo, que acusou de ter deixado arrastar este processo face às “violações da legislação do trabalho” por parte das empresas portuárias.

“Tudo o que se está a passar era possível ser evitado, se, porventura, o Governo, em vez de deixar arrastar este processo marcado pela desregulação da legislação do trabalho no porto de Setúbal, tivesse actuado em tempo oportuno, se o Governo tivesse chamado a entidade patronal obrigando-a a respeitar as leis e, neste caso concreto, a passar aqueles trabalhadores, que todos os dias fazem trabalho permanente, ao quadro de efectivos das empresas”, salientou.

 

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  1. É lamentável a desgovernação dos 2 terminais portuários, Lisboa e Setúbal nas mãos dos estivadores comunistas que pararam as exportações portuguesas nomeadamente da AUTOEUROPA sem que o ministro da economia nada diga, o que não é surpresa porque desde que foi assumiu funções há 3 anos só apareceu em público 3 vezes rs quanto à ministra do mar apenas mete água, ao fim de 3 anos nem renegociou as concessões portuárias, ministros destes era melhor não existirem porque nada fazem Portugal é 1 dos países da UE que nos últimos anos menos cresceu, a saber cresceu 1/3 da Irlanda que também recebeu ajuda da troika mas trabalha em vez de ajudar os estivadores comunistas a fazerem greve