O sindicato dos estivadores SEAL acusa os operadores de Lisboa de violarem os acordos com o Governo. Os operadores contestam e devolvem as críticas.

Mantém-se o braço de ferro entre os estivadores e os operadores no porto de Lisboa. Hoje, em comunicado, o SEAL recuperou o tema das empresas de trabalho portuário criadas pelos operadores – a Porlis e a ETE Prime – , sustentando que tais iniciativas dos operadores, associados da A-ETPL, foram irregulares.

O SEAL sustenta que as sete empresas de estiva do porto de Lisboa “sabiam destas irregularidades” e do impedimento legal de permitirem “concorrência desleal entre ETP dos mesmos associados, no mesmo porto”, mas que o objectivo era atirar a A-ETPL “deliberadamente, para a insolvência”.

A Porlis, controlada pelo Grupo Yilort, foi constituída em 2013, e a ETE Prime, do Grupo ETE, já este ano.

No comunicado, o sindicato dos estivadores lembra o acordos com o Governo de Maio de 2016, que previa a extinção da Porlis e a integração dos seus trabalhadores na A-ETPL, que nunca vaio a verificar-se.

Sobre a inviabilidade da A-ETPL, que levou os operadores a pedirem a sua insolvência, o SEAL contrapõe a situação da Porlis, alegadamente com um volume de negócios de cerca de 15% daquela, com resultados líquidos acumulados de 750 mil euros negativos e capitais próprios negatvos. O sindicato sustenta, por isso, que, aplicados os mesmos critérios, também a Porlis deveria encerrar. E, todavia, este ano lançou processos de recrutamento, lembra.

“A Porlis mantém-se aberta com um passivo de tal forma gigantesco que, seguindo o mesmo entendimento e argumentação que foram utilizados pelas associadas da A-ETPL para justificar a insolvência desta, já a teriam obrigado, há muito, a fechar por inviabilidade financeira. Apesar disso, começou no ano de 2020 um processo de contratações, em violação do princípio de boa-fé subjacente à assinatura do acordo assinado [com o sindicato e com o Governo] em 2016 e válido, no mínimo, até 2022”, refere o comunicado do SEAL.

Operadores contestam SEAL

Confrontado com o comunicado do SEAL, o porta-voz da AOPL, Diogo Marecos, disse que as “entidades empregadoras cumpriram todos os acordos celebrados, incluindo o acordo para a operacionalidade do porto de Lisboa, até que este cessou os seus efeitos em 2018”.

Diogo Marecos responsabilizou ainda o sindicato pela falta de diálogo e pelas greves sucessivas que as empresas de estiva dizem ser as verdadeiras causas do encerramento e insolvência da A-ETPL.

De acordo com o representante dos operadores do porto de Lisboa, “para se manter ao serviço das populações e da economia portuguesa o Porto de Lisboa reformulou-se e hoje, apesar das greves sucessivas do SEAL – que se mantém em greve desde 19 de Fevereiro – está a operar, com a ajuda de duas empresas de trabalho portuário, uma a laborar desde 2014, e uma segunda desde 2020”.

This article has 1 comment

  1. O ministro comunista Pedro Nuno Santos é amigo do sindicato comunista SEAL por isso lhe é totalmente indiferente que porto Lisboa caia na falência, impávido nem emite uma palavra, com gente assim Portugal está feito vergonha nacional esta desgovernação da Geringonça, “Ò Costa”

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