O presidente do sindicato de motoristas de matérias perigosas garante que o sector é contra a greve, mas que, sem outra opção, tiveram de recorrer à “bomba atómica”.
Sindicato dos motoristas de matérias perigosas justifica recurso à greve
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“Temos noção do que se passou e sempre dissemos, desde o início da constituição da associação que, posteriormente, deu início ao sindicato, que não somos a favor da greve. Até nos plenários costumávamos dizer [que é] a ‘bomba atómica'”, afirmou, em entrevista à “Lusa, o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento.

Para o sindicato, a greve “não traz benefícios ao trabalhador ou à entidade patronal e, muito menos, para o nosso país”, reforçou o dirigente.

Porém, após três plenários, e na ausência de outros meios para fazer valer as suas reivindicações, os motoristas deram “luz verde” para o sindicato “carregar no botão da bomba atómica”, quase parando o país durante três dias.

“As condições de trabalho são horríveis. Estamos a falar de trabalhadores que transportam diariamente 36 mil litros de químicos por viagem, com cargas horárias de 15,16 e 17 horas por dia”, explicou.

A greve dos motoristas de matérias perigosas terminou esta manhã, após o sindicato e a ANTRAM terem chegado a acordo sobre o início de negociações, sob a arbitragem do Governo.

Na base do protesto estava o reconhecimento dos motoristas de matérias perigosas como uma categoria profissional especifica.

Francisco São Bento admitiu que, durante a paralisação, chegaram ao sindicato várias queixas relativas aos transtornos causados, mas ressalvou que também lhe chegaram mensagens de apoio.

“Recebemos um misto de sentimentos. Houve pessoas que ficaram revoltadas, com toda a razão, porque, [por exemplo], queriam ir trabalhar e o seu trabalho ficava a 70 quilómetros de casa e, diariamente, precisavam de ir abastecer e não foi possível”, referiu.

Porém, o sindicato “também recebeu contactos telefónicos e e-mails de pessoas a dizerem: Fazem muito bem. Para a vossa profissão não se justifica um salário tão baixo”.

Segundo o sindicalista, os motoristas de matérias perigosas têm um salário base de 630 euros, ao qual acrescem também suplementos inerentes à função, trabalhando, normalmente, muitas horas acima do praticado noutras funções.

Durante a reunião que juntou o SNMMP e a ANTRAM, as duas partes comprometeram-se a concluir até dia 31 de Dezembro um processo de negociação colectiva, sendo que a primeira reunião negocial terá lugar no próximo dia 29.

A negociação colectiva deverá assentar nos seguintes princípios de valorização: individualização da actividade no âmbito da tabela salarial, subsídio de risco, formação especial, seguros de vida específicos e exames médicos específicos.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, convocada pelo sindicato, envolveu entre 800 a 900 trabalhadores.

Sobre o regresso à normalidade nos abastecimentos, o presidente disse que “uma vez que se terminou a greve diria que, dentro das próximas 48 horas, com o ritmo normal de trabalho, todos os postos de abastecimento estarão repostos”.

Já a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) afirmou à “Lusa” que a normalização da situação pode demorar até cinco dias.

“Acreditamos que [regularizar] tudo, portanto uma situação igual à existente antes do início da greve, poderá demorar até cerca de cinco dias, mas grande parte das situações estarão regularizadas antes disso”, disse António Comprido.

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