O porto de Sines deverá terminar o ano com uma movimentação de 48,5 milhões de toneladas, mais cerca de três milhões do que o inicialmente previsto pela administração portuária, que deverá mudar em breve de protagonistas.

PortodeSines-TGL

“A movimentação de mercadorias prevista para este ano de 2016 seria de 45,5 milhões de toneladas, mas o que vai acontecer é que vão ser perto de 48,5 milhões de toneladas”, disse, num encontro com jornalistas, em Sines, o presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), João Franco. Em 2015, Sines movimentou 44 milhões de toneladas de carga movimentada nos cinco terminais.

Este “crescimento sustentado” representa uma subida da “quota de mercado” a nível nacional, que “deve andar à volta dos 55% da mercadoria movimentada”, acrescentou. O mesmo responsável atribuiu o crescimento à resposta positiva do mercado, “ao esforço que a empresa e os seus concessionários e os diversos agentes económicos têm feito para dinamizar a actividade”.

Segundo as estimativas, até ao final do ano, o terminal de granéis líquidos é o que movimentará maior carga, com cerca de 22,3 milhões de toneladas, seguido do terminal de contentores, com 19,4 milhões.

Já os terminais multipurpose e de gás natural liquefeito registam uma redução da movimentação de carga, algo que João Franco atribui a fatores externos. “O terminal multipurpose está dependente do consumo de carvão das duas centrais [termoeléctricas] que abastece” e a redução da movimentação no terminal de gás natural liquefeito “decorre de um decréscimo de consumo”, justificou.

O presidente da APS destacou ainda a subida do número de navios, “que cresceu 13,9%”, ao mesmo tempo que “a dimensão dos navios também está a crescer”.

A expectativa é a de que o crescimento continue até ao final do ano e que, ao longo de 2017, se sintam os efeitos do alargamento do Canal do Panamá, que poderão representar “um aumento potencial” de mais “200 navios” a operar em Sines, em 2017.

Para o desenvolvimento da infraestrutura portuária nos próximos anos, João Franco defendeu a necessidade de “aumentar a capacidade de movimentação de contentores”, o que poderá passar por uma negociação com a actual concessionária, a PSA Sines, para a ampliação do actual terminal, ou pela construção de um segundo terminal e uma nova concessão.

“Obviamente que eu defendo a primeira hipótese, não escondo isso”, disse, lembrando haver uma proposta da PSA Sines para investir “140 milhões de euros” na ampliação do cais em mais 500 metros, mediante a “prolongação do prazo de concessão”, que hoje é até 2029.

“É uma questão que já foi colocada ao governo anterior por esta administração, foi também posta ao actual governo e certamente que em breve deverá haver uma decisão sobre a matéria”, disse o mesmo responsável, que confirmou ainda estar “para breve” a sua saída do conselho de administração da APS.

“Na sexta-feira passada, a senhora ministra [do Mar] comunicou-me que iria haver alteração da composição da administração”, disse.

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