SNMMP e ANTRAM acordam negociar

7A greve dos motoristas de matérias perigosas durou cerca de duas horas. SNMMP e ANTRAM acordaram retomar as negociações a partir do entendimento alcançado em Maio.

O presidente do SNMMP anunciou na madrugada de sábado a desconvocação da greve dos motoristas de matérias perigosas ao trabalho extraordinário, fins de semana e feriados, iniciada às zero horas e que se deveria prolongar até dia 22.

Francisco São Bento anunciou existir um “acordo de princípio” com a ANTRAM, que permite negociar todas as reivindicações defendidas pelo sindicato, elogiando o “bom senso” em chegar-se a este entendimento.

“Os portugueses ficaram a saber a realidade destes trabalhadores, pelos quais há mais de duas décadas nada tinha sido feito. Quero agradecer a todos os motoristas que estiveram sempre de pedra e cal a lutar pelos seus direitos”, disse.

O presidente do SNMMP referiu que receberam a garantia de que todo o trabalho efectuado pelos profissionais vai ser remunerado, entrando agora num caminho de negociação.

“Podemos considerar que não chegou a haver greve. O acordo de princípio que atingimos hoje é bastante claro e a preocupação principal é garantir que todo o trabalho efectuado pelos trabalhadores tem de ser remunerado. Isso está firmado, por isso temos tudo para continuar as negociações num bom clima de paz social”, frisou.

Francisco São Bento explicou que as negociações vão começar em breve, ainda no mês de Setembro, referindo que o Governo fez um papel de mediador no processo.

“Ninguém tem um conflito sozinho. Hoje existiu um entendimento e penso que estamos num bom caminho para conseguirmos um bom contrato colectivo de trabalho, digno para estes trabalhadores”, defendeu.

Já João Salvador, advogado da ANTRAM, esclareceu que o acordo entre as partes cria uma base negocial que é “rigorosamente a mesma que já foi determinada e assinada com a FECTRANS e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM)”.

“O acordo foi assinado há momentos e permite desconvocar a greve que estava marcada. Existiu uma viragem do sindicato, de uma lógica mais virada para o conflito para uma lógica mais institucional e de negociação, e que permitiu assinar um entendimento de princípio nas mesmas bases com que foi feito com outros sindicatos”, sublinhou.

Acompanhado do presidente da ANTRAM, Gustavo Paulo Duarte, o advogado considerou que esta foi uma “vitória comum”.

“Esta é uma vitória comum que lança as bases para uma reconciliação no sector, que há muito era necessária. Vamos começar a trabalhar nessa reconciliação. As primeiras reuniões vão decorrer e acreditamos que bem antes do final do ano tudo esteja concluído”, declarou.

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