Os deputados sociais-democratas de Beja e de Aveiro manifestaram-se hoje em sentidos opostos, na avaliação do relatório do GTIEVA sobre os investimentos em infra-estruturas de transportes. Do Alentejo, saiu mesmo a “ameaça” de um possível voto contra na Assembleia da República.

“É uma proposta ridícula e só tem cabimento à luz de quem não conhece o território e seguramente fez uma avaliação dos projectos não saindo do conforto dos seus gabinetes”, disse o presidente da distrital de Beja do PSD, Mário Simões, numa conferência de imprensa, em Beja, sobre o relatório.

Segundo o também deputado do PSD eleito por Beja, o relatório “negligencia a coesão territorial, porque tem uma visão parcelar do território, aposta na litoralização do país, não favorece as regiões de baixa densidade e deve ter sido elaborado com base em pressupostos de ‘lobbies’ que existem no país ligados às grandes áreas metropolitanas”.

Mário Simões disse que o PSD/Beja está “de acordo com a importância dos investimentos” relativos ao distrito referidos no relatório do GT-IEVA, mas contesta e refuta os prazos de conclusão propostos.

No sector rodoviário, o relatório propõe a conclusão da requalificação do troço Santa Margarida do Sado/Beja do IP8 após 2016 e antes do fim do Quadro Comunitário de Apoio (QCA) para o período 2014/2020. Mário Simões considerou a proposta “ridícula”, frisando que aquele troço, além de ter “importância do ponto de vista económico e estratégico para o Baixo Alentejo”, está, actualmente, “a por em causa a segurança rodoviária”.

“Mais ridícula e absurda” é a proposta, no sector ferroviário, para conclusão após o QCA da electrificação do troço Casa Branca-Beja, da Linha do Alentejo, disse, referindo que os autores começam por dizer que o relatório é para os próximos seis anos e, depois, propõem a electrificação do troço após 2020.

No sector aeroportuário, Mário Simões disse que as recomendações do relatório sobre o aeroporto de Beja “deixam muito a desejar”, já que não falam das valências de carga e transporte de passageiros, o que “é um absurdo”.

Segundo Mário Simões, o grupo de trabalho “seguramente não ouviu” a ANA, porque o presidente da empresa considera “um absurdo” a acessibilidade rodoviária para Beja, que, como está, “põe em causa” a estratégia para o aeroporto.

No sector rodoviário, o relatório omite investimentos “estratégicos” para o distrito de Beja e o Alentejo Litoral, como os troços do IC27 entre Alcoutim e Beja, do IC4 entre Lagos e Sines e do IP8 entre Beja e Espanha, lamentou.

Lembrando que o relatório está em discussão pública, Mário Simões disse que o PSD/Beja vai entregar ao Governo um documento com as suas propostas e a sua visão estratégica.

O deputado disse que o relatório, se “não for corrigido”, terá a sua “firme oposição e contestação” e que recusará “qualquer tipo de disciplina” de voto que o PSD imponha em relação a propostas do relatório que colidam com os interesses do Baixo Alentejo.

(sub)

Aveiro-Viseu-Formoso é prioridade

“Na ferrovia, a nossa prioridade é o corredor Aveiro-Viseu-Vilar Formoso. Se há um reconhecimento claro deste corredor em termos de exportação, porque é que não se dá prioridade à construção do que falta e à melhoria do que é necessário?”, questionou Pedro Alves.

Na sua opinião, é imprescindível que este investimento seja construído nos próximos sete anos, sem prejuízo da modernização da linha da Beira Alta.

A par daquele projecto, elege também como prioridade “a melhoria da mobilidade a Sul”. “Reconhecemos a importância da construção da auto-estrada [até Coimbra], mas importa que haja uma ponderação relativamente ao traçado”, alertou, apontando “a má experiência da sobreposição da A25 ao traçado do IP5”, em que a mobilidade na região passou a ter um custo para as empresas e para as famílias.

Pedro Alves sublinhou que há a possibilidade de melhoria do eixo existente, sem que isso represente um custo para os utilizadores.

“Sabemos quais são os constrangimentos que há nessa via, sabemos que a via que existe tem condições satisfatórias de mobilidade a Sul dentro do distrito. Por isso mesmo, não vejo porque não se estudem outras alternativas”, sustentou.

“Não podemos encarecer mais a mobilidade aos nossos membros da comunidade e isso seria sobrepor a totalidade do troço. Penso que há condições para fazer estudos sérios e sustentáveis que não penalizem a nossa comunidade”, referiu.

Como o estudo apresentado não traz “nenhuma proposta concreta da ligação Viseu-Coimbra”, o deputado social-democrata “ajudar a encontrar uma solução que não repita os erros do passado”.

“Esperamos que o PS defina as suas prioridades. Se definirem a ferrovia e a ligação a Sul como prioridade, vamos todos unir esforços para que isto seja uma realidade”, concluiu.

 

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